Sunday, April 09, 2006

A inteligência e os bairros

Inteligentes

Acho que Richard Lynch, o autor do estudo que se esquece de Portugal, não bate bem da bola. E já vai ver por que é que o penso.
Primeiro: esqueceu-se de Portugal.
Eventualmente porque o autor da escala não estudou geografia e pensa que Portugal já lá está: incluído em «Spain» / Espanha, que está em 15º lugar. Nós seríamos então uma província espanhola…Mas tal falha também não me admira, vinda de quem vem. É que este «professor» Richard Lynch é o mesmo que no ano passado disse ter provas de que os homens eram «5 pontos» mais inteligentes que as mulheres…

Câmara de Lisboa põe figuras do espectáculo a ajudar bairros pobres
Ana Henriques
Público

Simone de Oliveira, Luísa Castel-Branco e Anita Guerreiro são algumas das provedoras locais escolhidas pela autarquia

A Câmara de Lisboa vai mandar figuras do espectáculo e do jet set para vários bairros carenciados de Lisboa, com o objectivo de as transformar em porta-vozes dos problemas dos seus habitantes.Simone de Oliveira (cantora), Luísa Castel-Branco (apresentora televisiva), Margarida Martins (responsável pela associação Abraço), Anita Guerreiro (actriz) e Amarilis Taveira (farmacêutica) foram os nomes que a autarquia anunciou ontem que irão trabalhar nos bairros da Liberdade, da Boavista, do Padre Cruz e de São João de Brito. De que forma nem as próprias sabem ainda ao certo, como admitiram ontem ao PÚBLICO duas delas, que aguardam por uma reunião com a vereadora do Urbanismo marcada para a próxima terça-feira para ficarem a saber exactamente ao que vão."Em que consiste exactamente o desempenho deste cargo? É uma boa pergunta", observa Simone de Oliveira, que está à espera da reunião para saber como e onde irá desempenhar funções. "Imagino que possa existir um gabinete de bairro para ajudar as pessoas a melhorar as suas condições de vida." A ideia é que estas provedoras sirvam de ponte entre as populações dos bairros e a câmara, por intermédio das associações de moradores e colectividades. Trabalharão a título gracioso, em regime de voluntariado."Pode ser na conclusão de uma escola, no remendo de um cano ou na melhoria das condições de funcionamento de um jardim infantil", antevê a cantora. "Vamos chatear as instituições até conseguirmos resolver as coisas", diz por seu turno Luísa Castel-Branco. "Não faço ideia nenhuma do que vou encontrar, quando começar a trabalhar, mas tenho uma experiência de vida de 52 anos."A falta de experiência não as assusta. "Para mim não é difícil ajudar os outros", refere Simone de Oliveira. "Não vamos fazer trabalho técnico, vamos ser interlocutoras privilegiadas", ressalva Luísa Castel-Branco, reagindo às críticas sobre a sua competência e a das restantes provedoras para as funções em causa. "Essa história da competência técnica é completamente patética."Foi uma figura do jet set nacional actualmente a trabalhar para uma agência de promoção de Lisboa ligada à câmara, Vicky Fernandes, que ajudou o presidente do município e a vereadora do Urbanismo a lançar o projecto. "Já existem técnicos nos bairros. A presença destas figuras passa pelos afectos" que elas possam despertar junto das populações pobres, esclarece Vicky Fernandes.Nem todos ficaram agradados com a ideia. A menção dos nomes das provedoras causa estupefacção ao vereador socialista Dias Baptista: "A sério?!" O autarca tinha ouvido falar da ideia durante a corrida eleitoral para a Câmara de Lisboa - afinal, esta foi uma promessa do candidato vencedor, Carmona Rodrigues -, mas estava à espera de "pessoas com um perfil mais técnico"."Será que a vereadora do Urbanismo está a pensar na parte lúdica do bairro e não na qualidade de vida dos moradores?", pergunta. "Não estou a ver nenhuma destas personalidades - à excepção de Margarida Martins, pelo trabalho que tem desenvolvido na luta contra a sida na associação Abraço - a desempenhar outro papel que não o da animação cultural e social destes bairros.""É o que se chama aproveitar figuras públicas para fazer show-off", observa, por seu turno, o responsável pelo PCP de Lisboa, Carlos Chaparro. "Não está em causa a boa vontade das senhoras, mas os problemas dos bairros não se resolvem por esta via."A função de provedor de bairro não será um exclusivo feminino: a autarquia tem guardado na manga o nome de uma figura masculina para anunciar no próximo dia 11. Mais contemporizador que os seus colegas da oposição camarária, o vereador Sá Fernandes, eleito pelo Bloco de Esquerda, diz que tudo o que for feito no sentido de aproximar as pessoas da câmara é bem-vindo. Mesmo assim faz uma ressalva: "Não sei até que ponto estas provedoras serão uma mais-valia."

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