Saturday, January 17, 2009

Ah, ganda Gebalis do tempo de Santana!

Paulo Paixão, Expresso, hoje:

O rico negócio das casas sociais
Bingo!
A manutenção de bairros sociais foi paga a peso de ouro, com prejuízo do interesse público

Baguim do Monte, freguesia do concelho de Gondomar, é um lugar recôndito visto a partir de Lisboa, mas de grande importância para alguns bairros da capital. É lá que tem sede a Hidrauliconcept, uma firma de serviços nas áreas técnicas (canalizações, pinturas, carpintaria, serralharia) da construção civil, propriedade de Manuel Nápoles, um destacado apoiante do PSD.

A Hidrauliconcept teve durante anos a parte de leão dos contratos com a Gebalis (a empresa municipal que gere a habitação social em Lisboa), numa altura em que a autarquia era gerida pelos sociais-democratas (2002-2007). A Hidrauliconcept ficou com a manutenção de vários bairros. Alguns negócios celebrados nesse período entre a Gebalis e várias empresas — parte delas da região do Porto — estão a ser investigados pela Polícia Judiciária. São várias as pistas prosseguidas pelas autoridades: corrupção, administração danosa, abuso de poder, peculato. A empresa de Nápoles era a campeã de facturação. Entre 2004 e 2007 (o período áureo) a Gebalis pagou-lhe cerca de €18,7 milhões (valor com IVA). Em 2004, a Hidrauliconcept facturou €3,78 milhões (sem imposto), o que representou 85% das vendas líquidas totais da empresa de Baguim do Monte. Em 2005, a percentagem subiu ligeiramente (86%), com €3,18 milhões. Nos anos seguintes, os valores absolutos foram superiores: €3,95 milhões (2006) e €4,69 milhões (2007).

As remessas começaram a chegar numa boa altura. Em 2003, Nápoles vivia “tempos difíceis”, depois da falência da Aquafluidos. “Identifiquei uma oportunidade de negócio, a manutenção e recuperação de bairros que estavam num desleixo absoluto”, disse esta semana ao Expresso o empresário de Baguim do Monte, sobre a realidade que detectou em alguns dos 70 núcleos de habitação social de Lisboa. Começou a “trabalhar à experiência”, em 2003. “Eles gostaram e assinámos contrato em 2004”.

De vento em popa E o negócio floresceu. Igualmente pródiga é a sucessão de pontos controversos quando se analisam hoje os negócios entre a empresa municipal e alguns dos prestadores de serviços — estando a Hidrauliconcept longe de ser o caso único.
O fraccionamento sistemático de empreitadas, sem justificação, para fugir ao concurso público leva uma fonte judicial a afirmar que o esquema “faz lembrar os tempos da Junta Autónoma de Estradas”.

O convite privilegiava quase sempre um grupo restrito de empresas, do qual saía o vencedor, normalmente por um preço acima do inicial.

No resto, as várias situações detectadas em investigações internas da Gebalis ou em auditorias camarárias — entretanto remetidas ao Ministério Público — são um cardápio que ilustra o engenho da má gestão de dinheiros públicos. Desde adulteração do valor-base para concurso por “pressão” das propostas das empresas à existência de preços distintos em duas propostas para a mesma empreitada, passando por autos de medição e facturas de fases muito diferentes de obra (como se fosse possível num mesmo mês fazer o tosco e o acabamento) — tudo isto era moeda corrente.

Quando havia um desvio em relação ao orçamento ou à regra instituída, tal traduzia-se sempre em mais gastos para o erário ou em outro tipo de prejuízo para o interesse público. Poucos casos exemplificam esta inversão de escalas, extensiva a outras empresas, como o que se passava no funcionamento das equipas de manutenção da Hidrauliconcept.

A empresa de Baguim do Monte tinha dispersas as equipas por vários bairros. Umas catalogadas como “normais”, outras como “extra” (pagas a dobrar, pois acorriam às emergências). Simplesmente, o último formato tornou-se a regra, e o primeiro meramente residual. Em 2007, a Gebalis pagou à Hidrauliconcept por trabalhos-extra seis vezes mais do que pelos serviços ditos normais.



Às tantas, a empresa municipal já nem sabia bem o que pagava. Com efeito, segundo fonte ligada ao processo, as facturas emitidas pela Hidrauliconcept eram tão vagas na discriminação do serviço que, em muitos casos, se tornava virtualmente impossível apurar se o mesmo fora feito — apesar de ser quase automática a autorização do pagamento pelos serviços da Gebalis. Manuel Nápoles responde de forma categórica: “Tudo que que facturei fiz”.

Números em revisão


O statu quo foi alterado pela actual administração, nomeada já pelo executivo de António Costa. A empresa municipal diz que paga muito menos — €586 mil em 2008, contra €5,7 milhões no ano anterior (valores com IVA) —, prestando a Hidrauliconcept o mesmo serviço. Em fase de acerto de contas são fatais os desencontros de números. Inicialmente, a Hidrauliconcept pretendia facturar à Gebalis em 2007 cerca de €7 milhões (valor referido na edição passada).
No entanto, tal montante é agora corrigido pela empresa municipal. São várias as parcelas de abatimento. Para alguns documentos são consideradas outras datas de facturação. Por outro lado, a Hidrauliconcept emitiu notas de crédito. E a Gebalis não reconhece a existência de trabalhos no valor de €250 mil, sendo que a Hidrauliconcept reclama uma dívida maior: €650 mil, mais juros.

É nestes esquemas enredados, com contratos leoninos, que se centra a investigação da Judiciária. Manuel Nápoles explica o quadro sem argumentos retorcidos. “Era um negócio com margens mais favoráveis do que com outros clientes. A mim cabia-me defender os interesses da minha empresa, não da Gebalis”.

O contrato de prestação de serviços, para manutenção e conservação de seis bairros sociais, entre a Hidrauliconcept e Gebalis foi assinado em 2004. Eduarda Ribeiro Rosa presidia ao conselho de administração. Confrontada com a leitura que o outro outorgante faz agora do negócio, diz que se era “vantajoso para a Hidrauli, também seria para a Gebalis”.

Helena Lopes da Costa, vereadora que tutelava a Gebalis nessa altura, distancia-se. “Nunca falei com Manuel Nápoles sobre qualquer obra ou qualquer bairro. Não era essa a minha função. Para isso é que há empresas municipais”. E sobre a avaliação feita pelo empresário, a demarcação é ainda mais explícita: “Não posso fazer comentários porque nunca adjudiquei nada. Isso era competência do conselho de administração. Se fosse eu a decidir, nunca permitiria condições vantajosas a ninguém. Se alguém o fez, terá de responder por isso”.
ANEXOS
Projectos pagos ainda por concluir


Cotefis e Duolínea, projectistas e fiscalizadores, duas empresas e uma só. A Gebalis pede trabalhos que já deviam estar prontos.

Na constelação à volta da Gebalis, há estrelas gémeas: a Duolínea, Arquitectura e Engenharia, Lda; e a Cotefis, Gestão de Projectos, SA. Pertencem às mesmas pessoas e realizam ambas trabalhos de projectos e de fiscalização.
Segundo o relatório de uma comissão de avaliação interna, Duolínea e Cotefis facturaram em conjunto, em 2005 e 2006, cerca de três milhões de euros. Um procedimento em que se “desconhecia qualquer processo de adjudicação”. Mas peculiar ainda é o facto de, segundo fontes da Gebalis, haver situações em que a Duolínea fiscalizava projectos da Cotefis, e vice-versa. E para agilizar o expediente, o engenheiro que assinava as fiscalizações era a mesma pessoa. António Fernando Oliveira, líder das duas empresas familiares, não foge às evidências: “Admito que isso possa ter acontecido num caso ou noutro”.

A relação do eixo Cotefis/Duolínea com a Gebalis é hoje menos intimista. A empresa municipal reclama que projectos pagos em 2006, envolvendo mais de um milhão de euros, “nunca foram realizados ou, na melhor das hipóteses, nunca foram entregues à Gebalis”. Oliveira reconhece que “há trabalhos que não foram totalmente concluídos. Temos a consciência do nosso dever: recebemos honorários e nunca acabámos os projectos, embora por motivos que têm de ser imputáveis à Gebalis. Além do mais, mudou a legislação, o que obriga a rever algumas partes já realizadas”.
Para o futuro, Oliveira diz que a empresa está “interessada em acabar o trabalho (na próxima semana entregaremos mais dados). O processo requer agora diálogo e cooperação”.
Estranhos métodos de trabalho

Há situações no relacionamento da Gebalis com a Hidrauliconcept que desafiam a imaginação. Eis amostras de um rico catálogo
SIMPLEX NA FACTURAÇÃO
No recurso às equipas-extra, para reparar o rebentamento de um cano, por exemplo, um procedimento prévio estava arredado da prática. Em princípio, cada serviço urgente deveria ser antecedido de uma requisição (ou ao menos de uma comunicação telefónica). De início, ainda era preenchido tal documento, aposteriori, de acordo com a factura; depois, até esse “incómodo” foi abandonado. Faziam fé os números e a descrição estabelecida pela Hidrauliconcept.
UM RIO DE TINTA
Em dada altura, a Hidrauli passou a fornecer as tintas à Gebalis. Segundo Nápoles, de acordo com uma tabela, com “preços de mercado”, apresentada por um director da empresa municipal. Uma investigação interna da Gebalis apurou que uma determinada tinta (marca Tintal) era paga pelo dobro do que podia ser encontrada numa grande superfície. Nápoles explica que a sua tinta, mais cara, era de melhor qualidade, o que permitia usar menos quantidade para o mesmo espaço.
MATERIAL COM TAXA DE 10%
O custo das brigadas de manutenção não contemplava o material (fechaduras, torneiras, parafusos, dobradiças), que era pago à parte. Sempre acrescido de uma taxa de 10%, para custos administrativos (sobre uma tabela que a Hidrauliconcept elaborava). Com dois pormenores: as peças ficavam armazenadas em espaços da Gebalis; e à empresa municipal era tudo facturado logo que chegava ao armazém, não na data de instalação.

Senhor de Armamar, amigo de Barroso

Manuel Nápoles sempre foi um activo militante do PSD, em Gondomar, mas só no período do barrosismo saltou do anonimato. Com ligações familiares a Durão, surgia ao seu lado nas visitas que o então líder fazia ao Norte e chegou a ter assento no Conselho Nacional do partido. Esse foi o seu único cargo político. Crítico de Ferreira Leite confessa, em privado, que não sabe se votará no PSD nas próximas legislativas. É na sua vasta quinta em Armamar, confinante com o Douro, que regularmente recebe os seus amigos da política em animados convívios. Seduzido pelo local, Luís Filipe Menezes até já comprou uns terrenos vizinhos para construir uma casa de campo. Em 2002, a sua actividade empresarial sofreu um rude golpe. A sua Aquafluidos, especializada em canalizações, é arrastada pela falência da Ecop de que era fornecedora. Foi por água abaixo, está na fase de liquidação judicial. Dessa altura, ficaram litígios com o Fisco por retenção de IVA que seguem em Tribunal. No ano seguinte, lança a HidrauliConcept e bate à porta dos amigos para se relançar nos negócios. O contrato com a Gebalis é uma bênção. Habituado a margens apertadas, rejubila com os lucros fartos da sua operação Lisboa. Transfere-se para a capital, o que lhe valeu o corte de relações com o sogro.

Portas da Gebalis abertas pelo PSD

Manuel Nápoles chegou ao universo da Gebalis pela via partidária. Foi apresentado por Helena Lopes da Costa, na altura vereadora, ao então director-geral da empresa, Sérgio Lipari Pinto. “Entrei por cima”, reconhece Nápoles. A ex-autarca, hoje deputada, conta como as coisas aconteceram. “Os bairros sociais estavam muito degradados. Em conversa informal com o Jorge Costa, que fora vereador da Habitação em Gondomar, perguntei-lhe como tinham controlado o problema. Ele mencionou o tipo de manutenção que era feito, por empresas do Nápoles. Depois, falei do Nápoles ao Lipari. A partir daí não sei o que se passou, pois o assunto foi tratado pela Gebalis”. Lipari Pinto confirma que foi apresentado a Nápoles quando era director-geral, mas o relacionamento ficou-se por aí: “Nunca tive qualquer reunião de trabalho ou tratei de alguma obra com ele. Relacionou-se sempre directamente com o conselho de administração e a direcção de engenharia”. Entre Dezembro de 2006 e Maio de 2007, Lipari foi o vereador responsável pela Gebalis. Se para o autarca a relação com Nápoles foi distante, para o empresário gerou incompatibilidades. O empresário disse que Lipari (então presidente da Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica) lhe propôs um trabalho (Nápoles não quis dizer qual) para a autarquia, cuja factura deveria ser apresentada à Gebalis. O ex-vereador desmente. “É completamente absurdo, não corresponde minimamente à verdade. Só pode tratar-se de uma difamação”. Se a entrada de Nápoles na Gebalis passou pelo estreito corredor partidário, é também a dinâmica interna, resultante da luta entre facções, a destapar os cantos que apontam para a porta de saída.

P&R

O que é a Gebalis?
É uma empresa municipal, que gere a manutenção dos 70 bairros de habitação social de Lisboa. Um universo de cerca de 23 mil fogos, nos quais vivem para cima de 80 mil pessoas. A Gebalis não constrói: assegura a conservação dos edifícios existentes. Para essas tarefas é feita a contratação de empresas exteriores. A administração da Gebalis é nomeada pela autarquia; a empresa está organizada em gabinetes de bairro, arrumados em cinco grandes zonas de intervenção.
Qual o papel da Hidrauliconcept?
É uma empresa que presta serviços nas áreas técnicas (pintura, canalizações, carpintaria, serralharia; excluindo a electricidade e os elevadores) da construção civil. Tinha equipas de manutenção, às quais foram entregues seis bairros. Alguns pormenores do relacionamento com a Gebalis estão mal explicados e o que se sabe indicia uma fraca defesa do interesse público.

Manuel Nápoles tem ou teve outros negócios com a Gebalis?
Na sede da Hidrauliconcept está domiciliada outra empresa (Serviall), que facturou à Gebalis quase um milhão de euros em 2005. Manuel Napóles diz que os seus negócios com a Gebalis se resumem à Hidrauliconcept, já que no ano em que a Serviall facturou à Gebalis era ainda propriedade de um primo, a quem a adquiriu apenas em 2008. Nos registos de propriedade da Serviall não figura o nome de Manuel Nápoles — mas sim o de um vogal do conselho de administração da Hidrauliconcept.
O que está a ser investigado? Quantos processos há?
Há pelo menos três processos. Em dois deles já foi proferida a acusação. Num, contra o ex-director de engenharia, Luís Castro, por alegadamente ter usado meios ao serviço da empresa em proveito próprio. Noutro processo são arguidos os ex-membros do conselho de administração Francisco Ribeiro, Clara Costa e Mário Peças, aos quais são imputados os crimes de peculato e gestão danosa.
Que relações existem com o poder político?
Todos os negócios eram celebrados entre as empresas e a Gebalis. Nenhum autarca (presidente ou vereador) tem uma relação directa com obras adjudicadas. Apenas a responsabilidade política de tutelar uma empresa municipal, cujos responsáveis eram nomeados por si (ou, não tendo sido, a sua permanência no cargo dependia do poder municipal eleito). No período em apreço, a Câmara de Lisboa foi gerida pelo PSD, em certa altura em coligação com o CDS.

Quantas administrações teve a Gebalis no período sob investigação?
Duas. A primeira liderada por Eduarda Ribeiro Rosa (2002/ /2006); a segunda por Francisco Ribeiro (2006/2007). No executivo municipal, a tutela da Habitação foi assegurada, sucessivamente, por Helena Lopes da Costa, Maria José Nogueira Pinto e Sérgio Lipari Pinto.

Thursday, January 15, 2009

Comunicado da FAR

AS DECLARAÇÕES DO SENHOR CARDEAL PATRIARCA

A 13 de Janeiro do corrente, numa comemoração no Casino da Figueira da Foz, o Senhor Cardeal Patriarca, D. José Policarco, emitiu uma série de indicações dirigidas às mulheres e jovens portuguesas no sentido de as pôr de sobreaviso no que respeita a eventuais relações amorosas com elementos do sexo oposto que professem o islamismo.
Numa entrevista conduzida em tom informal, o Senhor Cardeal fez preceder o seu apelo de um curioso “aos amores”, taxou o diálogo com “os nossos irmãos muçulmanos” de “muito difícil” e realçou prováveis consequências nefastas (“uma carga de sarilhos”) que tais amores poderiam acarretar para mulheres portuguesas que estabelecessem relações matrimoniais com islamitas.

Tais declarações contrariam e dificultam o diálogo inter-cultural, são discriminatórias. Levam naturalmente a que se pergunte por que não se levantam questões de teor semelhante a outras confissões religiosas e, numa altura em que na Faixa de Gaza se trava uma guerra genocida, poderão dar azo a especulações ainda mais comprometedoras.
Os posteriores ensaios de rectificação de representantes do Patriarcado e as reacções indignadas da comunidade islâmica e de casais islâmicos e católicos não fazem senão salientar o desacerto de tais considerações.

A Frente Anti-Racista repúdia as reflexões do Senhor Cardeal Patriarca, e julga que o Patriarcado Português lhes deve dar formalmente um sentido mais aberto e consentâneo com o pensar e o sentir dos habitantes do território nacional, das diferentes comunidades que a integram, com os portugueses e com os católicos portugueses.

A Direcção da Frente Anti-Racista
Lisboa, 14 de Janeiro de 2009

Ajudar os miúdos do IPO

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS ou DVD's para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.
São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento, explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.
A falta de "stocks" torna necessária a ajuda da população.Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos, acrescenta.
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a comédia.Numa altura menos feliz das suas vidas, um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital.
Rir é sempre um bom remédio :)

As cassetes de vídeo ou DVD's podem ser enviadas para:
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
Unidade de Transplante de Medula
A/C Sr.ª Enf. Elsa Oliveira
Rua Professor Lima Basto 1070 Lisboa
Ou então, informe-se pelo telefone: 217 229 800 (geral IPO) 21 726 67 85

Sunday, January 11, 2009

Acontece em Loures

Frota municipal ao abandono em Loures
Em Loures, na Rua da República, traseiras do supermercado Mini-Preço, junto a um parque de estacionamento, esconde-se a triste realidade de uma parcela do património municipal automóvel (...).
Ali existe uma frota automóvel de veículos pesados e máquinas especiais que estão dia e noite parados, ao contrário dos camiões do lixo, que também estavam ali estacionados, mas que eram utilizados maciçamente dia e noite. Já esta frota pesada da Câmara Municipal de Loures está inactiva (...).É património municipal camarário que se está a transformar em autêntica sucata, à espera de um dia destes ser vendido como veículos para abate, por uma ninharia, quando entretanto forem adquiridas novas viaturas em leasing. (...)
Temos máquinas retroescavadoras, camiões para transportar terras, máquinas de asfaltamento... Na realidade estas máquinas já estavam a apodrecer nas traseiras da Cooperativa Agrícola de Loures, onde está instalada a secção do Ambiente da câmara. Como no local da cooperativa agrícola vai ser construído o Centro Veterinário Municipal, as máquinas foram retiradas para apodrecer noutro sítio, para as traseiras do supermercado.Tenho a certeza de que existe trabalho para estas viaturas. O problema é que certos trabalhos como o de asfaltamento, e outras tarefas, que podiam ser feitos por estas máquinas e camiões, não interessa que sejam feitos, porque na perspectiva do executivo este tipo de trabalhos é para ser entregue a empresas privadas.É triste, porque a realidade é que a câmara está a recorrer a aluguer de máquinas retroescavadoras, ou de empresas que prestam esse serviço, para fazer escavações, asfaltamentos, e estas máquinas estão ali a estragar-se porque não estão a ser utilizadas.Esta situação já foi denunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, julgo que em reunião de câmara, e os responsáveis da autarquia sabem desta situação e prometeram arranjar trabalho para estas máquinas, mas até hoje nada foi feito ou atribuída alguma tarefa a estas máquinas. O sindicato de Loures solicitou que as máquinas fossem utilizadas, a câmara prometeu arranjar ocupação para estas máquinas, no entanto, as "promessas" leva-as o vento.(...) Por ironia do destino estas viaturas estão num terreno descampado, numa nova zona onde vai nascer na cidade o projecto Loures Nascente. O terreno onde estas máquinas estão a "apodrecer" destina-se ao futuro edifício sede da Câmara Municipal de Loures, que vai aglomerar todos os serviços (...).Manuel Silva, Loures

Aeroporto: confusão vem desde Duarte Pacheco, que foi Presidente da CML e ministro das Obras Públicas

Câmara relança processo contra o Estado no valor de 1615 milhões
11.01.2009, José António Cerejo ('Público' hoje)
Autarquia não sabe quanto já gastou
O custo deste processo para a Câmara de Lisboa é neste momento uma incógnita. Por duas razões. Uma delas é habitual em acções de grande complexidade, como esta, que se podem arrastar dezenas de anos entre recursos e incidentes de todo o género, e prende-se com a carga de trabalho que o caso vai exigir dos advogados. Outra é o facto de, aparentemente pelo menos, ninguém saber na câmara quanto é que já foi pago aos mandatários do município nestes 13 anos.
De acordo com Manuel Seabra, chefe de gabinete do presidente da autarquia, António Costa, a câmara ainda não pagou quaisquer honorários à sociedade de advogados RPA por conta deste processo. Uma informação escrita, da Direcção Municipal de Finanças, adianta contudo que foram pagos à RPA 643.500 escudos em 1995, mais 960 euros em 2002 e 4117 euros em 2003 (cerca de 8100 euros no total). O texto esclarece que esses valores são os que constam do sistema informático, mas salienta que não é, neste momento, possível confirmar se se referem ao processo do aeroporto, nem se se trata de honorários ou não.
Sucede que numa listagem de pagamentos feitos a advogados nos últimos anos, anteriormente facultada ao PÚBLICO, constata-se que o município, por conta dos honorários e despesas com o processo do aeroporto, pagou no ano passado cerca de 90 mil euros à RPA, relativos ao período 2003-2006. O pagamento chegou a ser autorizado em 2007 por Carmona Rodrigues - apesar de o Departamento Jurídico da câmara ter informado que não possuía quaisquer elementos sobre o processo desde 1996 -, mas acabou por não ser feito nesse ano. Já no mandato de António Costa foram levantadas algumas dúvidas sobre os honorários apresentados e sobre a cobertura legal do ajuste directo efectuado entre a câmara e a RPA no tempo de Jorge Sampaio. Um parecer jurídico externo então solicitado e que depois mereceu a concordância dos responsáveis jurídicos da autarquia concluiu que o ajuste directo, para ser válido, teria de ter sido autorizado pela assembleia municipal, mediante proposta fundamentada do executivo, mas salientou que os elementos disponíveis não permitiam confirmar que isso tenha acontecido. A outra questão levantada pelo parecer era a da necessidade "imprescindível" de confirmar junto do Departamento Jurídico a "efectiva prestação" dos serviços facturados, para que o pagamento "não suscite quaisquer dúvidas". O Departamento Jurídico, que em 2007 já tinha dito nada saber do processo desde 1996, não voltou a pronunciar-se - a avaliar pelos documentos fornecidos ao PÚBLICO pela câmara -, mas o pagamento foi efectuado em Março do ano passado. Uma fonte da administração da RPA disse que as facturas em questão se prendem com a "regularização de mais de 100 prédios [terrenos do aeroporto] a favor da Câmara de Lisboa". J.A.C.
Dez anos depois de ter sido suspenso por decisão judicial, o processo em que a Câmara de Lisboa reivindica a propriedade dos terrenos do Aeroporto da Portela deverá ser retomado em breve, a pedido do advogado do município. Na acção posta em 1995 contra o Estado, a ANA e a TAP, a autarquia pede a devolução dos terrenos que diz serem seus e não estão directamente afectos à actividade aeroportuária, bem como uma indemnização por conta daqueles que foram usados na construção do aeroporto.
Aos primeiros o tribunal atribuiu, em 1999, o valor de 1225 milhões de euros (245 milhões de contos), montante que, adicionado aos 390 milhões de euros (78 milhões de contos) pedidos a título de indemnização, faz com que este processo seja um dos de valor mais elevado jamais apreciados pela justiça portuguesa (1615 milhões de euros).
Antes de avançar para os tribunais, o antigo presidente da câmara Jorge Sampaio aconselhou-se com Freitas do Amaral, no Verão de 1990, e com Sérvulo Correia, em 1992. Os pareceres de ambos coincidiram quanto ao reconhecimento dos direitos do município sobre os terrenos da Portela. E logo em 1993 o caso foi entregue, por ajuste directo, à sociedade de advogados então liderada pelos ex-ministros Rui Pena e Rui Machete (actual RPA-Rui Pena, Arnaut e Associados). Nesse ano começou a interminável recolha da documentação em que a câmara pretendia alicerçar a defesa dos seus interesses.
Já em 1995 Rui Pena entregou no 5.º Juízo Cível de Lisboa as 98 páginas da petição inicial, acompanhadas dos registos, escrituras e outros meios de prova que até aí conseguira reunir relativamente às 117 parcelas de terreno que a sua cliente reivindicava. A tese era simples: os terrenos da Portela foram comprados ou expropriados pelo município entre 1935 e 1962, por sua exclusiva iniciativa, para ali ser instalado o aeroporto de Lisboa, sem que lhe fosse paga "qualquer contrapartida fosse a que título fosse, limitando-se os seus actuais possuidores a tomá-los para si, usando-os e fruindo-os como bem entendem".
No total, estão em causa os 250 hectares do aeroporto propriamente dito e cerca de 260 hectares de terrenos adjacentes, que também se encontram na posse da ANA (empresa pública que gere o aeroporto), da TAP e de diversos serviços do Estado. No cerne da argumentação camarária está o facto de o Estado, pondo fim à prática vigente desde a inauguração do aeroporto, em 1942, ter afastado o município da sua administração em 1979, quando a ANA foi criada. Com a entrega da infra-estrutura aeroportuária a esta empresa, o Estado impediu o município de "rentabilizar o seu investimento, mediante a cobrança de taxas e licenças de utilização", e "fez seus todos os proventos derivados da sua exploração", salienta o articulado da acção.
Distinguindo os terrenos situados na área envolvente - nos quais se encontram, nomeadamente, os parques de estacionamento, os espaços verdes, as instalações da PSP e os edifícios da TAP - daqueles que correspondem ao "aeroporto em sentido técnico", ambos com áreas semelhantes, a câmara reivindica a restituição dos primeiros, atribuindo-lhes um valor de 375 milhões de euros, e pede uma indemnização de 390 milhões de euros pela "expropriação de facto" dos segundos.
Avaliação independente
Inconformada com estes valores (um total de 765 milhões de euros, o equivalente a 153 milhões de contos à época), que considerou "absurdos", "exorbitantes" e provavelmente os mais altos "já alguma vez demandados judicialmente entre nós", a ANA pediu na sua contestação, em Junho de 1995, que eles fossem fixados no máximo de 18 milhões de euros. Perante o fosso existente entre as duas posições, a juíza ordenou uma avaliação independente, que veio, já em 1998, a fixar o valor da área envolvente em 1225 milhões de euros (3,2 vezes mais do que a câmara lhes atribuíra). Somando este valor ao da indemnização requerida, o tribunal estabeleceu o valor da acção, em Março de 1999, num total de 1615 milhões de euros. Simultaneamente, a juíza determinou a suspensão do processo até que a câmara fizesse prova de ter registado a acção em curso no registo predial de todas e cada uma das 117 parcelas em disputa.
Passados quase dez anos e após sucessivas prorrogações do prazo de suspensão, que a ANA e o Ministério Público muitas vezes contestaram em vão, inclusivamente no Tribunal da Relação, acusando o município de "negligência processual", o processo deverá brevemente voltar a seguir os seus trâmites normais.
Isto porque o advogado Rui Pena apresentou, em 24 de Novembro passado, um requerimento ao tribunal em que pede, em nome do município, o fim da suspensão da instância. Motivos: finalmente, foram ultrapassados os obstáculos burocráticos que impediam a realização de quase todos os registos em falta; e um decreto publicado no Verão de 2008 permite que este tipo de processos avance mesmo sem estarem concluídos os tais registos.
Agora cabe ao tribunal decidir sobre o prosseguimento da acção. Uma coisa é certa: logo que isso aconteça, deverá seguir para a Relação o recurso que a ANA pretendeu interpor contra o valor fixado para a acção e que a juíza recusou, em 1999, por entretanto ter ordenado a suspensão do processo. Tanto o Estado, através do Ministério Público, como a ANA pediram nas suas contestações, logo em 1995 e 1996, que a acção interposta pelo município fosse declarada improcedente. Em ambos os casos um dos principais argumentos utilizados prende-se com a alegação, contestada pelo município, de que o Estado terá comparticipado em 50 por cento as despesas feitas pela câmara no aeroporto, nomeadamente com a aquisição dos terrenos. Além disso, sustentam, a câmara não comprou os terrenos por sua "exclusiva iniciativa", mas sim na qualidade de instrumento do Estado, por dispor de um serviço especializado em expropriações. Uma outra ideia-chave é a de que o município e a cidade beneficiaram largamente, e a vários níveis, com a construção do aeroporto. O Ministério Público alega por outro lado que, independentemente de tudo o resto, os terrenos já se tornaram propriedade do Estado por usucapião, uma vez que já estão na sua posse pública e sem contestação há muitas dezenas de anos. O representante do Estado sustenta também que a câmara "não teve qualquer prejuízo" porque os terrenos "não tinham qualquer valor particular" antes de ser feito o aeroporto e porque "a sua passagem para o Estado se ficou a dever, em grande parte, à sua [do município] manifesta incapacidade financeira de levar a bom termo o projecto [do aeroporto] a que se tinha abalançado". Apesar de também ser visada na acção, a TAP não interveio no processo até agora. A representação da ANA contra a câmara foi assegurada, entre 1999 e 2004, pelo advogado que desde 2005 assegura a defesa dos interesses da autarquia no âmbito dos litígios relacionados com o túnel do Marquês de Pombal. E o advogado que o substitui na defesa da ANA é o mesmo que em 2004 representou a câmara em três processos relativos ao mesmo túnel do Marquês. Depois de ter acusado várias vezes o município de "negligência processual" para que a acção posta contra a ANA não avançasse, Guerra Tavares deixou o patrocínio daquela empresa pública, em Agosto de 2004, sendo substituído por Rodrigo Esteves de Oliveira. Alguns meses depois, a câmara contratou Guerra Tavares, através da RPA, para representar o município no processo arbitral que o opõe ao consórcio construtor do túnel do Marquês e que levou à condenação da autarquia no pagamento de cerca de 17 milhões de euros. Já Rodrigo Esteves de Oliveira, que em Julho de 2004 subscreveu um parecer pedido pela câmara sobre uma empreitada, estava na altura em que assumiu a defesa da ANA a representar o município em três processos decorrentes da providência cautelar posta por José Sá Fernandes contra o túnel do Marquês. Contactado pelo PÚBLICO, o advogado considerou não existir qualquer conflito de interesses, uma vez que "já era advogado da ANA há muitos anos" quando aceitou representar a CML.

Friday, January 09, 2009

Este é mesmo o problema: passou um ano e tudo está na mesma

Problemas antigos em nova reunião da CML com as suas freguesias
09.01.2009, Catarina Pinto
Lisboetas destacaram questões que permanecem sem resolução e António Costa sublinha a importância das reuniões para ouvir as freguesias
Decorrido um ano desde a realização da primeira reunião pública descentralizada da Câmara de Lisboa, os velhos problemas voltaram a estar sobre a mesa: a insegurança, as lacunas na higiene urbana e a degradação de edifícios e espaços verdes foram os temas mais destacados pelos munícipes que anteontem à noite se deslocaram às instalações do Caselas Futebol Clube para a primeira reunião de 2009. Ao longo do último ano, os vereadores e o presidente da autarquia, António Costa, percorreram as 53 freguesias da cidade para ouvir e debater os problemas expostos pelos munícipes.Regressando ao ponto de partida, o executivo municipal deu voz às freguesias de Alcântara, Ajuda, Santa Maria de Belém e São Francisco Xavier e, de acordo com alguns munícipes, os problemas levantados na reunião de há um ano ainda não foram resolvidos. José Feio, morador da Ajuda, explicou que o lixo continua a disseminar-se pelas ruas, sem que nenhuma recolha seja eficaz. Já Álvaro Santos, residente em Belém, queixou-se que "as pessoas com deficiências motoras não têm acesso fácil à zona ribeirinha", uma vez que a passagem junto ao Centro Cultural de Belém não está preparada para o efeito. Por outro lado, dois moradores denunciaram o elevado estado de degradação de algumas escolas e António Costa admitiu que a "situação do parque escolar é dos problemas mais graves da cidade"; daí que o orçamento para 2009 preveja um plano de beneficiação e construção de escolas. O autarca socialista destacou ainda a importância destas reuniões, considerando-as "um exercício de responsabilidade da câmara".

Thursday, January 08, 2009

Ler! Ler! Ler!

É só clicar no título para ler ou imprimir.

1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
2. A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3. Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4. Dom Casmurro -Machado de Assis
5. Cancioneiro -Fernando Pessoa
6. Romeu e Julieta -William Shakespeare
7. A Cartomante -Machado de Assis
8. Mensagem -Fernando Pessoa
9. A Carteira -Machado de Assis
10. A Megera Domada -William Shakespeare
11. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12. Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13. O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14. Dom Casmurro -Machado de Assis
15. Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16. Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17. Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18. A Carta -Pero Vaz de Caminha
19. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20. Macbeth -William Shakespeare
21. Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22. A Tempestade -William Shakespeare
23. O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24. A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25. Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26. A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27. O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28. O Mercador de Veneza -William Shakespeare
29. A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde 30. Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare 31. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32. A Mão e a Luva -Machado de Assis 33. Arte Poética -Aristóteles 34. Conto de Inverno -William Shakespeare 35. Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare 36.
Antônio e Cleópatra
-William Shakespeare 37. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões 38. A Metamorfose -Franz Kafka 39. A Cartomante -Machado de Assis 40. Rei Lear -William Shakespeare 41.
A Causa Secreta
-Machado de Assis 42. Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa 43. Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare 44. Júlio César -William Shakespeare 45. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa 47. Cancioneiro -Fernando Pessoa 48. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional 49. A Ela -Machado de Assis 50.
O Banqueiro Anarquista
-Fernando Pessoa 51. Dom Casmurro -Machado de Assis 52. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho 53. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa 54. Adão e Eva -Machado de Assis
55. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo 56. A Chinela Turca -Machado de Assis 57. As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare 58. Poemas Selecionados -Florbela Espanca 59.
As Vítimas-Algozes
-Joaquim Manuel de Macedo 60. Iracema -José de Alencar 61. A Mão e a Luva -Machado de Assis 62. Ricardo III -William Shakespeare 63. O Alienista -Machado de Assis
64. Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa 65. A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne 66. A Carteira -Machado de Assis 67. Primeiro Fausto -Fernando Pessoa 68.
Senhora
-José de Alencar 69. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães 70. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis 71. A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca 72. Sonetos -Luís Vaz de Camões 73.
Eu e Outras Poesias
-Augusto dos Anjos 74. Fausto -Johann Wolfgang von Goethe 75. Iracema -José de Alencar 76. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa 77. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78. O Guarani -José de Alencar 79. A Mulher de Preto -Machado de Assis 80. A Desobediência Civil -Henry David Thoreau 81. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio 82.
A Pianista
-Machado de Assis 83. Poemas em Inglês -Fernando Pessoa 84. A Igreja do Diabo -Machado de Assis 85. A Herança -Machado de Assis 86. A chave -Machado de Assis 87.
Eu
-Augusto dos Anjos 88. As Primaveras -Casimiro de Abreu 89. A Desejada das Gentes -Machado de Assis 90. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa 91. Quincas Borba -Machado de Assis
92. A Segunda Vida -Machado de Assis 93. Os Sertões -Euclides da Cunha 94. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa 95. O Alienista -Machado de Assis 96.
Don Quixote. Vol. 1
-Miguel de Cervantes Saavedra 97. Medida Por Medida -William Shakespeare 98. Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare 99. A Alma do Lázaro -José de Alencar 100. A Vida Eterna -Machado de Assis 101.
A Causa Secreta -Machado de Assis 102. 14 de Julho na Roça -Raul Pompéia 103. Divina Comedia -Dante Alighieri 104. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós 105.
Coriolano
-William Shakespeare 106. Astúcias de Marido -Machado de Assis 107. Senhora -José de Alencar 108. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente 109. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis 111. A 'Não-me-toques' ! -Artur Azevedo 112. Os Maias -José Maria Eça de Queirós 113. Obras Seletas -Rui Barbosa 114.
A Mão e a Luva
-Machado de Assis 115. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco 116. Aurora sem Dia -Machado de Assis 117. Édipo-Rei -Sófocles 118. O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119. Pai Contra Mãe -Machado de Assis 120. O Cortiço -Aluísio de Azevedo 121. Tito Andrônico -William Shakespeare 122. Adão e Eva -Machado de Assis 123.
Os Sertões
-Euclides da Cunha 124. Esaú e Jacó -Machado de Assis 125. Don Quixote -Miguel de Cervantes 126. Camões -Joaquim Nabuco 127. Antes que Cases -Machado de Assis 128.
A melhor das noivas -Machado de Assis 129. Livro de Mágoas -Florbela Espanca 130. O Cortiço -Aluísio de Azevedo 131. A Relíquia -José Maria Eça de Queirós 132.
Helena
-Machado de Assis 133. Contos -José Maria Eça de Queirós 134. A Sereníssima República -Machado de Assis 135. Iliada -Homero 136. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco 137.
A Brasileira de Prazins
-Camilo Castelo Branco 138. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões 139. Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage 140. Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa 141. Anedota Pecuniária
-Machado de Assis 142. A Carne -Júlio Ribeiro 143. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós 144. Don Quijote -Miguel de Cervantes 145. A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne

O que é que se passa nas Bibliotecas?????

De um comentário inserido aqui:
«(...) a actual chefe de divisão das bibliotecas. As bibliotecas estão como estão, porque a dita senhora em vez de se dedicar a trabalhar e a gerir equipamentos e recursos humanos, limita-se a perseguir os técnicos mais competentes, colocando-os na prateleira, fazendo-se acompanhar de técnicos (digo técnicas) ausentes nas suas compras diárias pelos centros comerciais da zona. Seja no Campo Pequeno, no Colombo, no Vasco da Gama ou nos Olivais (agora renovado e mais atraente...). É vê-las por lá de saquinhos na mão em vez de estarem a assegurar os serviços. Depois a incompetente da chefe queixa-se da falta de recursos humanos, obrigando quem trabalha e cumpre horários a tapar os buracos das colegas que estão muito ocupadas nas compras. Estamos fartos! Não há nada nem ninguém que faça uma sindicância ao comportamento da dita senhora e sua técnicas? Ajudem-nos por favor!»

Wednesday, January 07, 2009

Em causa: desfile e concentração de ‘motards’

Nota do PCP
PS assume que na Câmara de Lisboa
só funciona a reboque

Lisboa está saturada de transporte individual e carece de transportes públicos operacionais e bem organizados.
Os carros atulham todas as vias.
A poluição aumenta.
A maioria acantonada na Câmara não tem soluções.
E quando elas aparecem pela mão da oposição, ficam na gaveta, mesmo que aprovadas.
O resultado é que a situação real nas ruas piora de dia para dia.
Cada vez há mais carros, mais caos no trânsito e no estacionamento e menos mobilidade.

A alternativa por veículos de duas rodas, como meio de mobilidade urbana, poderá desagravar os impactos físicos de sobrecarga do espaço público, traduzindo-se numa vantagem global, ainda que mantendo impactos significativos no nível do ruído e qualidade do ar.

Quanto ao parqueamento destes veículos, a Cidade é altamente carenciada, o que levou o PCP a propor e a CML a aprovar a proposta de alargar a oferta de parques de estacionamento especial de veículos de duas rodas.
Mas essa proposta, embora aprovada há quase um ano, em 13 de Fevereiro de 2008, e por unanimidade, não está a ser devidamente implementada.
PS e Sá Fernandes, agora com o movimento de Roseta amarrado, não mostram a vontade política que deviam ter para concretizar as propostas aprovadas pela Câmara quando não são de sua iniciativa.
Foi o que aconteceu com a do parqueamento de veículos de duas rodas.
Mas quando os motociclistas se mobilizam e aparecem na Praça do Município, «aqui-d’el-rei que vamos já ouvir as vossas reivindicações». Uma espécie de Poder Local que só funciona a reboque de protestos.

Conteúdo concreto das propostas do PCP

As propostas concretas do PCP em matéria de estacionamento dos veículos de duas rodas contemplam soluções de fundo: levar esta problemática ao âmbito da revisão do PDM; incumbir as Direcções Municipais de Planeamento Urbano e Protecção Civil, Segurança e Tráfego de criar, desde já, áreas de estacionamento apetrechadas e dedicadas ao parqueamento de veículos de duas rodas, junto aos interfaces modais de transportes, jardins e parques, equipamentos colectivos e principais pólos comerciais, divulgando a sua localização e monitorizando a sua utilização; incumbir a Direcção Municipal de Protecção Civil, de Segurança e Tráfego da elaboração, de minuta de proposta para alteração do Regulamento Geral de Parques de Estacionamento Municipais, e aos Regulamentos Específicos de cada Parque, designadamente ao art. 3º, de modo a possibilitar a existência de locais de estacionamento para bicicletas, ciclomotores e motociclos nos parques de estacionamento municipais a preços reduzidos; incumbir a EMEL da disponibilização experimental, de espaços limitados, reservados ao parqueamento de veículos motorizados de duas rodas, procedendo à divulgação de tal oferta e à monitorização da sua utilização.

Tuesday, January 06, 2009

Eh pá!

Tachos e Cunhas


+ subsídios de desemprego chorudos
... Independentemente de concurso... !!!

Adida em Londres (9000€)

Aumentos de 200% para os gestores públicos
Bárbara e Carrilho
C. M. LISBOA - Sá Fernandes - O PALADINO DA VERDADE TAMBÉM TINHA 11 ASSESSORES
Coelhone na Mota-Engil
Contitas da REN

CP - É só chefes

Câmara do Barreiro
De pai para filho
DGV mesmo extinta recruta pessoal
Eu faço as obras c******
Ganhar 3500€ sem fazer nada

Gestores pagos a peso de ouro

Governo de Sócrates nomeou 2373 pessoas
Jobs for the girls - Neide
Mais um tacho/contrato bem feito - Fereira do Amaral
Mano Pedroso é advogado competente (muito)
Manos Pedroso em 'alta'

Mulher do Costa da SIC (entrevistador do Sócas) tem empregão

Noiva da JS nomeada administradora
Salários escandalosos
Verinha Sampaio


AS REFORMAS CHORUDAS

As reformas são só para quem merece!!! Leucemia não dá direito.

Afinal foram só 9,732 milhões
Catroga também terá reformita
Continuação do poste das reforminhas
Galp
História de Valentim
Link para reformas chorudas

Mais um chorudo
Pensões de luxo aumentam 10,8%
Reforma esquecida de Alegre
Reformas Douradas - Odete S., Marques M., J. Cravinho
Reformita do Mirinha

Salário Milionário

Sr. Presidente nÃo havia necessidade
Subvenções vitalí­cias
Vasco Franco - Este merece porque foi herói

Corrupção em Portugal? Burrice?

1400 compraram Curso de Engenharia
Sócrates sócio duma empresa suspeita
País multiplicador de miseráveis
Finanças perdoam 10 milhões de euros de IVA a sindicato da UGT
Electricidade mais cara 41,4% do que em Espanha
E roubam... e roubam... e roubam...
Custos do Túnel do Marquês derraparam 40%
Camiões fogem para Espanha
CERTIEL - Mais um roubo
DIVIDA EXTERNA DE PORTUGAL
Eng. José Sócrates o tanas!!!
Eu, comi Carolina

Extinta há 2 anos a IGAE ainda recebe funcionários... de organismos também extintos!!!

Louvor de Freitas - Que lata
Luís Filipe Vieira beneficiado por quem???
Na era de Santana
Novo aeroporto - Pagador de campanhas eleitorais
OTA (porquê) !!!!!!!!?????!!!!????

OTA - O maior embuste jamais vendido aos Tugas

Ota questionada por Históricos do PS
OTA «Estão a mentir-nos»
Pai de Sócrates fiscalizou dez obras do GEPI
Promoveu a mulher com aumento de 500€
Subsídio de alto risco sem risco

TAP dá lucro novamente

Vergonha do Rock in Rio-Lisboa 2006
Vídeo de sexo da Elsa Raposo

Saúde dos Tugas

Eu tenho seguro de saúde
Transplantes rendem milhões aos médicos

Directora de centro de saúde demitida pelo Sr. Ministro

Quase 400 Alentejanas deram à luz em Badajoz
Troca de seringas na prisão
Mulher agredida numa Urgência Hospitalar morre
Cartão Europeu de Saúde
Administradores hospitalares contra o picar do ponto
Segunda criança nasce numa ambulância
Hospitais cobram até 17 vezes mais a vítimas de violência doméstica
Morreu à espera de socorro
CARTA DE UM MÉDICO AO SR. PM

JUSTIÇA - por cá não há...

Governo ajuda Pedroso contra.... o Estado!!!
Com juízes assim...
Corrupção dos Tribunais/Angola/Portugal
Hugo Marçal será juiz!!!
Juiz com filho traficante às claras?
Pedófilos em liberdade
Quando as leis são feitas por criminosos...

Que merda de justiça!!!
Violar é legal

Chorar a rir para não chorar

... 40 ladrões...
1ª obra do ENGENHEIRO da independente!!!
A felicidade do povo

Alberto João - G.F.
Choque tecnológico
Cirurgiões
Como eles nascem
Comunicado do governo - Urgente!!!
Já nos cinemas...

Mentiroso
Novo símbolo de Portugal
O Postal
O regresso de Catherine Deneuve
Pinóquio enfurecido

SIMPLEX

Sócrates e a secretária
Sócrates no parlamento - G.F.
Velentão - G.F.
Voltaremos a ser felizes quando...

Orçamento de 2009

Câmara Municipal de Lisboa com orçamento eleitoralista
04.01.2009,
Feliciano David
Deputado MUnicipal do PCP

O orçamento da Câmara Municipal de Lisboa (CML) para 2009 não é um orçamento de rigor nem de contenção como o executivo do PS quer fazer crer. Desde logo porque as receitas correntes estão suborçamentadas e as receitas da venda de património inflacionadas de forma irrealista.Com efeito, as receitas correntes têm aumentado todos os anos e irão exceder as orçamentadas para 2009 correspondentes a 530 milhões de euros num orçamento que ascende a 643 milhões E, assim, os lisboetas são cada vez mais sacrificados, e vão continuar a pagar a crise financeira da CML. Entre 2004 e 2007, as receitas do IMI, da Taxa de Conservação de Esgotos e da Tarifa de Saneamento (os impostos que mais sobrecarregam as famílias) subiram 55%, atingindo 144,7 milhões e, em 2009, serão ainda maiores, pagando cada alojamento, em média, a pesada factura de cerca de 600 euros.É também irrealista a previsão da receita de 91 milhões de euros com a alienação de terrenos e palácios camarários, que representa 46% das receitas próprias para financiar o Plano de Actividades, devido às dificuldades inerentes à sua concretização e à crise do mercado. Em 2008, apesar da CML ter orçamentado 46 milhões de euros da venda de património, até Novembro, só tinha realizado 9 milhões. O orçamento não é, igualmente, de contenção porque não só cresce 17% como aumenta as despesas de funcionamento em 66,7 milhões de euros relativamente ao orçamento inicial de 2008.De resto, a situação financeira da CML pouco se alterou desde 2007 devido ao fracasso do Plano de Saneamento Financeiro. Decorrido quase um ano e meio da gestão PS/BE, o passivo praticamente mantém-se (1200 milhões de euros), o serviço da dívida entre 2007 e 2009 aumenta 55,5 milhões e dos 360 milhões de euros da dívida aos fornecedores, reportada a Outubro de 2007, a CML pagou, apenas, 18%: 40 milhões em 2007 e 25 milhões em 2008. E só agora foi concretizado um acordo com alguns fornecedores, no montante de 110 milhões, com pagamento diferido em nove anos.Se a dívida total da CML tivesse de ser paga, directamente, pelos lisboetas cada um teria de desembolsar cerca de 2200 euros.Mas é grave, também, a forma demagógica como a CML manipulou os números, ao comparar o orçamento de 2009, ora com o orçamento inicial, ora com o final de 2008, de acordo com as conveniências, distorcendo assim os resultados e transformando, por exemplo, as GOP em mero panfleto eleitoral ao afirmar, referindo-se a 2008: "Reduzimos a despesa em 253,5 milhões de euros (-31,7%); executámos com rigor, tendo gerado uma poupança estrutural de 170 milhões de euros". Não é verdade que se tenha verificado esta redução nos cinco meses de gestão do PS. Os 253 milhões representam apenas a diferença entre o orçamento inicial do PSD, que era de 800 milhões, e o orçamento final executado, que só atingiu 547 milhões.É, ainda, claramente eleitoralista porque aumenta a dotação do Plano de Actividades em 36%, mas investe, fundamentalmente, em projectos de "encher o olho", de grande visibilidade e de concretização rápida, a fim de "alindar" a cidade antes das eleições, aumentando em 92% as dotações para o Espaço Público e em 73% para os Espaços Verdes procurando ocultar a estagnação verificada este ano.Em contrapartida, outros objectivos são preteridos, penalizando os lisboetas ao reduzir as dotações para a Intervenção Social e o Desporto, para a Protecção Ambiental (menos 343%), bem como em áreas bastante carecidas, que têm, também, quebras acentuadas: 245% no Parque Edificado; 20,6% na Prevenção Rodoviária e 168% no Desenvolvimento Económico.Num balanço final, algumas melhorias na gestão estão longe de compensar os inúmeros insucessos. A. Costa fracassou no seu objectivo de "arrumar a casa" em 2008. E, como político hábil, fez das GOP 2009/2012 o seu programa eleitoral de recandidatura, recheado de ideias e projectos, mas que não passam de promessas sem sustentabilidade no actual contexto. Como diz o povo, "muita parra e pouca uva". Ou recorrendo à linguagem futebolística: este executivo do PS lembra uma equipa que treina muito, tem grandes projectos, promete ganhar os jogos, mas no campo não marca golos. Até hoje nenhuma obra estruturante foi concretizada. Com este orçamento vão agravar-se os problemas da cidade e a renovação do tecido urbano e aumentar a degradação da qualidade de vida em Lisboa. Esteve à beira de ser chumbado na CML. Passará na Assembleia Municipal?

Um artigo importante de José Goulão no Le Monde Diplomatique


GAZA - «Hipocrisia sangrenta»
por JOSÉ GOULÃO
(inédito)
Altos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao«cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente. A hipocrisia de presidentes, ministros, diplomatas ou porta-vozes é tão óbvia como de costume, mas ainda consegue ser chocante tendo em consideração a tragédia que vitima mais de um milhão de meio de pessoas amontoadas num pequeno território inóspito aferrolhado entre Israel, o Egipto e o Mediterrâneo.
Tais apelos baseiam-se na objectividade de um pretenso distanciamento entre as «partes em conflito», assim se exigindo uma rigorosa simetria de comportamentos como numa guerra convencional entre exércitos clássicos. Simetria, pois, entre civis indefesos e as forças armadas que ocupam o quarto lugar no ranking das mais poderosas do mundo; entre ocupados e ocupantes; entre morteiros mais ou menos artesanais e o poder de fogo dos F-16 e dos tanques de última geração; entre comunidades famintas sujeitas há anos a um feroz bloqueio de bens essenciais e uma nação estruturada apoiada sem limites pelo mais poderoso país do planeta; entre as vítimas e respectivos descendentes de uma limpeza étnica e os ses autores.
O Hamas quebrou a trégua e tem de pagar, devendo desde já sujeitar-se ao regresso ao cessar-fogo faça o inimigo o que fizer, sentenciam os diplomatas civilizados. Trégua que verdadeiramente nunca existiu, uma vez que foi desde logo desrespeitada pelo Estado de Israel ao violar um dos seus pressupostos essenciais: o fim do bloqueio humanitário a Gaza. Durante os últimos seis meses o cerco não apenas se manteve como se apertou.
Como movimento terrorista, o Hamas tem que pagar, dirão ainda e sempre os civilizados senhores do poder de distinguir os que são e os que não são terroristas, do mesmo modo que lançam guerras contra possuidores de armas de extermínio que nunca existiram.
O Hamas, porém, praticamente não era nada quando se iniciou a primeira Intifada palestiniana, em fins de 1988. Hoje, o papel dos serviços secretos de Israel na criação efectiva de um movimento islâmico, o Hamas, para dividir a resistência nacional palestiniana dirigida pela Organização de Libertação da Palestina (OLP) já nem é sequer um segredo de Polichinelo. Os interessados em aprofundar o assunto poderão começar por pesquisar através da obra de Robert Dreyfuss e começar a desenrolar o novelo. Descobrirão elementos muito interessantes e com flagrante actualidade. A verdade é que de grupinho divisionista e terrorista o Hamas se transformou num movimento que, tirando dividendos dos fracassos sucessivos do chamado processo de paz, boicotado por Israel e Estados Unidos e assumido pela Fatah como única opção estratégica, conseguiu ganhar as eleições parlamentares palestinianas em 2006. O Hamas cresceu com as estratégias militaristas em redor, como os talibãs no Afeganistão (agora controlando zonas a menos de 50 quilómetros de Cabul) ou o Hezbollah no Líbano, fruto das invasões israelitas da década de oitenta.
Reconhecer que o Hamas é agora uma realidade evidente no problema israelo-palestiniana não significa fraqueza, simpatia ou conivência com o terrorismo. É, prosaicamente, uma simples questão de senso comum.
As eleições de 2006, proclamaram os observadores internacionais, muitos deles oriundos das terras «civilizadas», foram livres e justas. Logo, ao Hamas coube formar governo – diz-se que é assim que funciona a democracia.
Engano puro. A chamada «comunidade internacional» decidiu não reconhecer o governo escolhido pela maioria dos palestinianos; nem sequer aceitou uma aliança entre o Hamas e a Fatah, que praticamente fazia o pleno da vontade dos eleitores. Pelo contrário, também não são segredo as diligências da administração de George W. Bush e do governo israelita de Ehud Olmert para lançar a guerra civil entre as duas principais organizações palestinianas – chegando, para isso, a fornecer armas à Fatah – fazendo simultaneamente por ignorar o acordo entretanto estabelecido pelos dois movimentos sob mediação do Egipto e da Arábia Saudita.
Este processo conduziu à divisão palestiniana: a Fatah na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, dependente do que Israel lhe permite ou não fazer; e o Hamas controlando Gaza, território dos seus principais feudos. Daí ao bloqueio a Gaza e, agora, à invasão, foi um pequeno salto.
O massacre está em curso, assistindo-se na comunicação social a tão curiosos como ridículos esforços para distinguir entre vítimas civis e militares. Em Gaza, para que conste, não há militares, a não ser os invasores. Existem restos da polícia autonómica, militantes do Hamas armados e organizados como milícias. O resto é milhão e meio de desempregados, famintos e humilhados. Tal é o inimigo de Israel que lançou alguns morteiros, por exemplo contra a cidade de Asqelon, que em 1948 se chamava Al-Majdal e era uma aldeia árabe cuja população, vítima da limpeza étnica em que assentou a criação do Estado de Israel, se refugiou em Gaza.
Os dirigentes de Israel asseguram que os «civis» serão poupados durante a invasão. Tal como aconteceu em 1982 em Beirute, onde os militares comandados por Ariel Sharon, fundador do partido de Ehud Olmert e Tzipi Livni, destruíram o sector ocidental da cidade, acabando por patrocinar os massacres de Sabra e Chatila. Ou em 1996, quando Shimon Peres, actual presidente israelita, foi responsável pelo massacre de Canan, também no Líbano, e mesmo assim perdeu as eleições parlamentares.
Gaza, ainda assim, será diferente de Sabra e Chatila. Agora, os soldados israelitas sujam mesmo as mãos com o sangue das populações indefesas – salpicando inevitavelmente os hipócritas que os defendem.