Friday, October 19, 2012

Há quem se ria


1
Não gosto nada de brincar nesta fase e menos ainda com estas coisas.
Mas um amigo acaba de me enviar uma pisada que me fez rir - agora que a gente não tem mesmo vontade disso.
É assim:

 Alerta Urgente

Se Você Receber Um E-Mail, Com Arquivo Anexo, Dizendo:
"Fotos De Angela Merkel Nua"


Pelo Amor De Deus, Não Abra...


Pode Ser Verdade !!!!


2
E o Samuel também anda a meter-se nas piadas.
Uma delas é sobre Portas.
Ontem meteu-a no Cantigueiro e reza assim:

Depois de assistir a esta viabilização serôdia do Orçamento, por parte de Paulo Portas, numa evidente «manobra» oportunista, apetece-me fazer uma adaptação livre duma velha anedota alentejana:
- Ó senhor Portas. Porque é que encena e protagoniza estas farsas?
- É para ficar parecido com um estadista que se preocupa com o povo... e ficar mais importante!
Então... porque é que não fica?!!! 

Sunday, September 30, 2012

Observatórios

Ena, tantos.
Portugal deve ser o país mais «observado» do mundo (enviado por mail):

Observatório do medicamentos e dos produtos da saúde
Observatório nacional de saúde
Observatório português dos sistemas de saúde
Observatório da doença e morbilidade 
(...se só para a saúde são 3 para a doença 1 é pouco!!!)
Observatório vida
Observatório do ordenamento do território
Observatório do comércio
Observatório da imigração
Observatório para os assuntos da família
Observatório permanente da juventude
Observatório nacional da droga e toxicodependência
Observatório europeu da droga e toxicodependência
Observatório geopolítico das drogas 
(...mais 3 !!!)
Observatório do ambiente
Observatório das ciências e tecnologias
Observatório do turismo
Observatório para a igualdade de oportunidades
Observatório da imprensa
Observatório das ciências e do ensino superior
Observatório dos estudantes do ensino superior
Observatório da comunicação
Observatório das actividades culturais
Observatório local da Guarda
Observatório de inserção profissional
Observatório do emprego e formação profissional
(...???)
Observatório nacional dos recursos humanos
Observatório regional de Leiria
(...o que é que esta gente fará ??)
Observatório sub-regional da Batalha 
(...deve observar o que o de Leiria deveria fazer ??)
Observatório permanente do ensino secundário
Observatório permanente da justiça
Observatório estatístico de Oeiras 
(...deve ser para observar o SATU !!!)
Observatório da criação de empresas
Observatório do emprego em Portugal
  (...este é mesmo brincadeira !!!)
Observatório português para o desemprego
  (...este deve ser para "espiar" o anterior !!!)
Observatório Mcom
Observatório têxtil
Observatório da neologia do português
(...importante para os acordos "Brasilaicos-Portuenses" e mudar a Estória deste Brasilogal !!!)
Observatório de segurança
Observatório do desenvolvimento do Alentejo
(...este deve ser para criar o tal deserto do Sr. "jamé" !!!)
Observatório de cheias 
(...lol...lol...)
Observatório das secas 
(...boa...)
Observatório da sociedade de informação
Observatório da inovação e conhecimento
Observatório da qualidade dos serviços de informação e conhecimento
(...mais 3 !!!)
Observatório das regiões em reestruturação
Observatório das artes e tradições
Observatório de festas e património
Observatório dos apoios educativos
Observatório da globalização
Observatório do endividamento dos consumidores
(...serão da DECO ??)
Observatório do sul Europeu
Observatório europeu das relações profissionais
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal
  (...o que é estes fazem ???)
Observatório europeu do racismo e xenofobia
Observatório para as crenças religiosas
  (...gerido pelo Patriarcado com dinheiros públicos ???)
Observatório dos territórios rurais
Observatório dos mercados agrícolas
Observatório dos mercados rurais 
(...espetacular)
Observatório virtual da astrofísica
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais 
(...valha-nos a virgem !!!)
Observatório da segurança rodoviária
Observatório das prisões portuguesas
Observatório nacional dos diabetes
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira 
(lol...lol...)
Observatório estatístico
Observatório dos tarifários e das telecomunicações
(...este não existe !!! é mesmo tacho !!!)
Observatório da natureza
Observatório qualidade 
(...de quê??)
Observatório quantidade 
(...este deve observar a corrupção descarada)
Observatório da literatura e da literacia
Observatório nacional para o analfabetismo e iliteracia
Observatório da inteligência económica 
(hé! hé!! hé!!!)
Observatório para a integração de pessoas com deficiência
Observatório da competitividade e qualidade de vida
Observatório nacional das profissões de desporto
Observatório das ciências do 1º ciclo
Observatório das ciências do 2º ciclo 
(...será que a Troika mandou fechar os do 3º, 4º e 5º ciclos)
Observatório nacional da dança
Observatório da língua portuguesa
Observatório de entradas na vida activa
Observatório europeu do sul
Observatório de biologia e sociedade
Observatório sobre o racismo e intolerância
Observatório permanente das organizações escolares
Observatório médico
Observatório solar e heliosférico
Observatório do sistema de aviação civil 
(...o que é este gente fará ??)
Observatório da cidadania
Observatório da segurança nas profissões
Observatório da comunicação local
(...e estes ???)
Observatório jornalismo electrónico e multimédia
Observatório urbano do eixo atlântico 
(...minha nossa senhora !!!)
Observatório robótico
Observatório permanente da segurança do Porto
(...e se cada cidade fosse criado um !!!)
Observatório do fogo 
(...que raio de observação !!)
Observatório da comunicação (Obercom)
Observatório da qualidade do ar
(...o Instituto de Meteo e Geofisica não faz já isto ???)
Observatório do centro de pensamento de política internacional
Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais 
(...este é bom !!! com o nosso desenvolvimento aero-espacial !!!)
Observatório europeu das PME
Observatório da restauração
Observatório de Timor Leste
Observatório de reumatologia
Observatório da censura
Observatório do design
Observatório da economia mundial
Observatório do mercado de arroz
Observatório da DGV
Observatório de neologismos do português europeu
Observatório para a educação sexual
Observatório para a reabilitação urbana
Observatório para a gestão de áreas protegidas
Observatório europeu da sismologia 
(...o Instituto de Meteo e Geofisica não faz isto também ???)
Observatório nacional das doenças reumáticas
Observatório da caça
Observatório da habitação
Observatório Alzheimer
Observatório magnético de Coimbra

Wednesday, August 01, 2012

Saturday, July 14, 2012

1973-74-75... em Portugal

.

1 – A crise económica de 1970-73 (erradamente chamada de choque petrolífero, porque este foi uma das suas manifestações e não causa; não há uma crise decorrente de um choque petrolífero, há um choque petrolífero decorrente de uma crise cíclica) foi a mais importante queda da taxa de lucro depois da Guerra.
2 – Os EUA, como sempre, exportaram a sua crise desvalorizando o dólar (fim do padrão ouro) com a consequente inflação galopante pelo mundo. Em Portugal a inflação chegou aos 30%.
3 – As medidas anti crise implicaram o congelamento da construção na Europa central e portanto a força de trabalho portuguesa estava agora impedida de emigrar e, a que estava em França, Benelux, Suíça, reduzia o envio de remessas.
4 – Implicou um efeito devastador no orçamento do país. 40% do OE já era para a guerra. Contaram-me, mas não tenho docs  para além da história oral, que João Augusto Rosas, ministro das Finanças, quando se demite em 1972, terá afirmado que não «havia dinheiro para continuar a guerra».
5 – Implicou despedimentos em massa, descapitalização e enceramento de fábricas. As ocupações não começam por consciência socialista mas justamente começam como forma de garantir o direito ao trabalho, depois dos patrões encerrarem as fábricas para garantir a destruição de capital e a consequente (re)valorização deste. Vale a pena lembrar que de acordo com Eugénio Rosa passa-se de cerca de 40 mil desempregados em Abril de 1974 para 300 mil em Dezembro de 1975. Todos os materiais da época de todos os quadrantes políticos que consultei de 1974 e 1975 confirmam estes números.

In http://5dias.net/2012/07/13/vale-mesmo-a-pena/
.

Thursday, July 05, 2012

Duas aldeias da serra beirã no século XVIII

Vou partilhar consigo.
Amigos privilegiaram-me com estas preciosidades.


E não me perguntem sequer o que é que isto tem a ver com Lisboa (nome do blog). Basta ver quem é que manda o inquérito (Padre Cardoso), de onde o manda (Lisboa) e ao serviço de quem (Marquês).


Eis então as perguntas do Terreiro do Paço e as respostas dos dois curas daquelas duas aldeias da Beira do século XVIII.



INTERROGATÓRIOS PARA A ORGANIZAÇÃO DO DICIONÁRIO GEOGRÁFICO

DO PADRE LUIS CARDOSO
1758

Venha tudo escrito em letra legível e sem breves
 (Mandados pelo Governo de Marquês de Pombal aos párocos depois do terramoto de 1755)

I
O que se procura saber dessa terra, é o seguinte:

1 - Em que Província fica, a que bispado, comarca, termo e freguesia pertence?

Vale - Está na Província da Beira, Bispado da Guarda, Comarca de Castelo Branco, freguesia de São Tiago, Termo de Penamacor.
Casteleiro - Está na província da Beira, Bispado da Guarda, Comarca de Castelo Branco, Freguesia do Salvador, anexa de Santa Maria do Castelo da Vila de Sortelha e termo da mesma Vila.

2 - Se é D’El Rey, ou de donatário, e quem o é ao presente?

Vale - É D’El Rey
Casteleiro - É anexa da igreja de Santa Maria da dita vila de Sortelha. Pertençe a El Rei.

3 - Quantos vizinhos tem, e o número de pessoas?

Vale - Tem fogos cento e doze, regular de confissão e comunhão duzentas e setenta e duas; só de confissão setenta e quatro e crianças quarenta
Casteleiro - Tem cento e cinquenta e dois fogos, pessoas de confissão e comunhão trezentas e quarenta e oito; só de confissão setenta e quatro, crianças que ainda não se confessam cento e três, pessoas ao todo quinhentas e vinte cinco.

4 - Se está situada em campina, vale ou monte, e que povoações se descobrem dela, e quanto dista.

Vale - Está situada em vale. Dela se vê para a parte do levante o lugar de Santo Estêvão, meia légua de distância; e para o sul, o lugar da Benquerença, longe uma légua.
Casteleiro - Está situada em Vale; dela se descobre para a parte do Nascente o lugar da Moita, distância de meia légua; para a parte do Norte a Vila de Sortelha à distancia de uma légua.

5 - Se tem Termo seu, que lugares ou aldeias compreende, como se chamam, e quantos vizinhos tem?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

6 - Se a paróquia está fora do lugar, ou dentro dele, e quantos lugares, ou aldeias tem a freguesia, todos pelos seus nomes.

Vale - A paróquia está dentro do Lugar; cá e mais nada.
Casteleiro - A paróquia está feita no lugar e logo junto às casas, tem uma quinta que chamam Cantargalo tem um morador; e tem outra que chamam do Espirito Santo, tem outro morador.

7 - Qual é o seu orago, quantos altares tem, e de que santos, quantas naves tem; se tem irmandades, quantas, e de que santos?

Vale - O orago desta freguesia é São Tiago. A Igreja tem quatro altares. O altar mor em que está da parte direita São Tiago e da esquerda Santo António e outro altar da parte direita dedicado à Senhora do Rosário, e da mesma parte outro das Almas; (...)Cristo cruxificado e da parte esquerda um dedicado ao Espírito Santo, tem duas naves e Irmandades quatro. Uma das Almas, outra do Espírito Santo, outra da Senhora da Póvoa, e outra de S. Sebastião.
Casteleiro - O orago desta freguesia é o Salvador do Mundo, a igreja tem três altares dois da parte do evangelho, um dedicado ao menino deus e outro a Santo António, e da parte da epistola tem outros dois um dedicado a nossa senhora do rosário e outro às almas do purgatório. Naves tem somente o arco da capela mor; e uma irmandade das almas do purgatório; e outra de S. Pedro.

8 - Se o pároco é cura, vigário ou reitor, ou prior, ou abade, e de que apresentação é, e que renda tem?

Vale - O pároco é cura apresentado pelo prior da Moita e da apresentação do padroado será o seu rendimento duzentos mil réis para o prior e o cura é o que ajusta com o mesmo prior. É o que manda opa (?) de altar.
Casteleiro - O pároco é cura e apresentado pelo reverendo vigário da dita vila de Sortelha por ser anexa da igreja matriz de Santa Maria da mesma vila a qual pertençe a El Rei. Tem de rendimento vinte mil réis.

9 - Se tem beneficiados, quantos, e que renda têm, e quem os apresenta?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

10 - Se tem conventos, e de que religiosos, ou religiosas, e quem são os seus padroeiros.

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

11 - Se tem hospital, quem o administra e que renda tem?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

12 - Se tem Casa de Misericórdia, e qual foi a sua origem, e que renda tem; e o que houver notável em qualquer destas coisas?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

13 - Se tem algumas ermidas, e de que santos, e se estão dentro ou fora do Lugar, e a quem pertencem?

Vale - Tem duas ermidas e uma Igreja caída que foi matriz, e uma capela de Nossa Senhora da Póvoa, e tem mais a imagem de Santa Sabina, está fora do lugar meia légua; e outra de S. Sebastião e tem mais a imagem de Santo Antão.
Casteleiro - Tem quatro ermidas. Uma de S. Sebastião, esta está fora do lugar quase cem passos, e outra do Divino Espírito Santo, esta está dentro do lugar, e outra de Santa Ana, esta está fora do lugar à distância de meia légua, e outra de S. Francisco que está fora do lugar quase trinta passos e nela está erecta a irmandade dos terceiros, sujeita ao convento de Santo António da vila de Penamacor e todas estam sujeitas à igreja matriz do dito lugar de Casteleiro.

14 - Se acode a elas romagem, sempre, ou em alguns dias do ano, e quais são estes?

Vale - Tem a Senhora da Póvoa muita gente em romaria em todo o decurso do ano e o maior concurso é na segunda e terça do Espírito Santo.

Casteleiro - À ermida de Santa Ana costumam os moradores do mesmo povo fazer romagem em dois dias do ano: um em dia de Santa Cruz, a três de Maio, e outro no terceiro dia das ladainhas do dito mês de Maio, e nesta data e em todas as mais acima nomeadas se costuma dizer missa.

15 - Quais são os frutos da terra, que os moradores recolhem em maior abundância?

Vale - Os frutos que nesta terra se colhem mais é azeite, centeio e trigo, e linho e vinho; o mais é centeio e azeite.
Casteleiro - Os frutos que nesta terra se colhem em maior abundância são centeio vinho e azeite castanha e linho, mas esta maior abundância apenas...a terras fortes.

16 - Se tem Juiz ordinário, etc., câmara, ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra, e qual é esta?

Vale - Está sujeita ao Juiz de Fora de Penamacor; e tem dois juizes idóneos.
Casteleiro - Está sujeita aos juízes ordinários da vila de Sortelha e nela está este ano servindo um juíz ordinário por se costumar fazer um da vila e outro da terra....vereador e todos os anos tem dois juízes, oficiais da câmara da dita vila.

17 - Se é couto, cabeça de concelho, honra, ou behetria?

Vale - Nada.
Casteleiro - Nada.

18 - Se há memória de que florescessem, ou dela saíssem, alguns homens insignes por virtudes, letras ou armas?

Vale - Nada.
Casteleiro - Nada por ser gente muito rústica e não se lembrarem de memória alguma.

19 - Se tem feira, e em que dias, e quantos dura, se é franca ou cativa?

Vale - Nada.
Casteleiro - Nada.

20 - Se tem correio, e em que dias da semana chega, e parte; e se o não tem, de que correio se serve, e quanto dista a terra aonde ele chega?

Vale - Depende do Correio de Penamacor, que dista duas léguas.
Casteleiro - Não tem correio, serve-se do correio de Penamacor que dista daqui três léguas.

21 - Quanto dista da cidade capital do Bispado, e quanto de Lisboa, capital do Reino?

Vale - Dista da cidade da Guarda capital deste Bispado seis léguas, e de Lisboa quarenta e duas.
Casteleiro - Dista da cidade da Guarda, capital deste bispado, seis léguas e de Lisboa capital do Reino dista quarenta e três.

22 - Se tem alguns privilégios, antiguidades, ou outras coisas dignas de memória?

Vale - Nada.
Casteleiro - Nada.

23 - Se há na terra ou perto dela alguma fonte, ou lagoa célebre, e se as suas águas têm alguma especial qualidade?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

24 - Se for porto de mar, descreva-se o sítio que tem por arte ou por natureza, as embarcações que o frequentam e que pode admitir?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

25 - Se a terra for murada, diga-se a qualidade de seus muros; se for praça de armas, descreva-se a sua fortificação.

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

26 - Se padeceu alguma ruína no terramoto de 1755, e em que, e se está a ser reparada?

Vale - Nada padece da ruína do terramoto do ano de 1755.
Casteleiro - Não padeceu ruína alguma no terramoto de 1755.

27 - E tudo o mais, que houver digno de memória, de que não faça menção o presente interrogatório.

Vale - Nada.
Casteleiro - …



II
O que se procura saber dessa Serra é o seguinte:
28 - Como se chama?

Vale - Tem duas uma chamada do Pa ao poente outra ao nascente chamada o Abrunhal
Casteleiro - O Lugar do Casteleiro está fundado num vale como acima se declara, em cujo limite se acham uma chamada a Serra d’Opa e outra a Serra da Preza.

29 - Quantas léguas tem de comprimento e quantas tem de largura?

Vale - A Serra do Pa terá meia légua de comprimento e um quarto de largura, o Abrunhal terá de largo e comprido meio quarto de légua.
Casteleiro - Esta chamada Serra d’Opa tem de comprimento quase duas léguas e de largura meia légua. Principia no limite do lugar da Moita no sítio da Cabeça Gorda e acaba num sítio que chamam Sam Dinis no limite do lugar chamado Benquerença, distante deste povo duas léguas. E a Serra chamada Serra da Preza terá de comprimento uma légua e de largura quase o mesmo. Principia no limite deste lugar e acaba no limite do lugar chamado Escarigo, distante deste lugar légua e meia. Correm ambas estas serras de norte a sul.

30 - Os nomes dos principais braços dela?

Vale - Os braços da Serra um para a parte do norte chamado o Paraíso, outro para poente chamado os Fiéis de Deus; a do Abrunhal, a breda dos marcos e o outro a Morgada.
Casteleiro - Nada

31 - Que rios nascem dentro do seu sítio, e algumas propriedades mais notáveis deles; as partes para onde correm e aonde fenecem.

Vale - Da Serra do Pa não sai rio nem do Abrunhal.
Casteleiro - Da serra chamada d’Opa nasce um pequeno ribeiro e a este chamam o Ribeiro de Val de Casteloins e logo se mete numa ribeira que corre ao pé do povo e este ribeiro da serra d’Opa corre de nascente para o poente. Da serra chamada da Preza nasce outro pequeno ribeiro que passa ao pé da Quinta do Espírito Santo e corre também para a mesma ribeira. E este ribeiro se mete nela onde chamam o sítio Guaralhais e aquele no sítio chamado Tinte e estes ambos correm do poente para o nascente e tudo está no limite deste lugar.

32 - Que vilas e lugares estão assim na Serra, como ao longo dela?

Vale - Na Serra do Pa à parte do nascente junto ao sopé da serra está Val de Lobo à parte do nascente; e do poente está o Casteleiro e ao norte o lugar da Mouta.
Casteleiro - Nada

33 - Se há no seu distrito algumas fontes de propriedades raras?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

34 - Se há na Serra minas de metais, ou canteiras de pedras, ou de outros materiais de estimação?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

35 - De que plantas ou ervas medicinais é a serra povoada, e se se cultiva em algumas partes, e de que géneros de frutos é mais abundante?

Vale - Toda a cultura de uma e outra parte dá searas de centeio e trigo, e tem hortas com mais frutos.
Casteleiro - A serra chamada d’Opa se cultiva com searas de centeio, de um e outro lado a meia ladeira e a serra chamada de Preza se cultiva com searas também de centeio em todo o ano e em todos os lados dela, e o mais nada.

36 - Se há na Serra alguns mosteiros, igrejas de romagem, ou imagens milagrosas.

Vale - Está no fundo da Serra do Pa a capela da Senhora da Póvoa, igreja de muita romagem e imagem muito milagrosa.
Casteleiro - Quase no meio da serra chama d’Opa está a Ermida da Sancta Anna, acima já declarada, e somente os moradores do mesmo povo costumam ir lá em romagem algumas vezes.

37 - A qualidade do seu temperamento?

Vale - O temperamento é quente e saudável.
Casteleiro - O temperamento destas duas serras acima declaradas é frio mas saudável.

38 - Se há nela criações de gados, ou de outros animais ou caça?

Vale - Cria gado grosso e miúdo e caça miúda e montês
Casteleiro - Criam-se nestas duas serras gado miúdo e caça de coelhos e perdizes.

39 - Se tem alguma lagoa ou fojos notáveis?

Vale - Tem no princípio para a parte do norte volto ao nascente um lameiro por nome Ameal que tem cinco ou seis fontes que nunca secaram e da água se regam muitas fazendas.
Casteleiro - Nesta serra chamada Preza, acha-se em todo o meio os alicerces de uma grande preza que ali houve antigamente, donde a serra tomou o nome de Serra da Preza. E a água desta preza, se conta, a queriam em tempo antigo levar por canos onde chamam a Torre dos Namorados, distante dela quatro ou cinco léguas. E nesta mesma serra, de uma cruz que chamam da Relva Velha, para a parte do lugar chamado Escarigo, tem a Mitra duas partes em todos os frutos e a Comenda uma.

40 - E tudo o mais que houver digno de memória?

Vale - Nada.
Casteleiro - E da mesma cruz, para a parte do mesmo lugar do Castelleiro, tem a Comenda duas partes e a Mitra uma, em todos os frutos.

III
O que se procura saber do rio dessa terra é o seguinte:

41 - Como se chama, assim o rio, como o sítio onde nasce?

Vale - Corre junto do mesmo lugar uma ribeira que nasce na Serra do Mosteiro, no Sítio da Mina, limite de Santo Estêvão, até ao lugar da Benquerença.
Casteleiro - Ao pé deste lugar do Castelleiro corre uma ribeira sem outro nome mais que o nome da ribeira, esta principia a nascer ao pé da serra chamada do Mosteiro, ao pé de uma quinta chamada Alagoas, freguesia de Sancto António da Orgueira, termo da vila de Sortelha. E nela também se mete outro ribeiro pequeno que chamam o Ribeiro do Poio, o qual principia a nascer num sítio chamado Corredoura no limite da dita vila de Sortelha, e este se vem meter nela no sítio das Alvercas, limite deste lugar.

42 - Se nasce logo caudaloso, e se corre todo o ano?

Vale - No seu nascente corre todo o ano, no mais seca.
Casteleiro - Esta ribeira corre quase todo o ano, ou ao menos até ao fim de Julho, e sempre nela se conservam alguns poços de água. Este ribeiro chamado do Poio no princípio corre algo tanto arrebatado, porém em se metendo na tal ribeira entra a correr com ele quieto.
43 - Que outros rios entram nele, e em que sítio?

Vale - Nada
Casteleiro - Neste somente se metem três pequenos ribeiros, chamados um o Ribeiro de Val de Castelloins, e outro de Cantellegalo, e outro do Espírito Sancto, este se mete nela no sítio chamado Guaralhais, aqueles no sítio chamado Tinte.

44 - Se é navegável e de que embarcações é capaz?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada.

45 - Se é de curso arrebatado, ou quieto, em toda a sua distância, ou em alguma parte dela?

Vale - Corre quieto
Casteleiro - A ribeira em si corre quieta mas os tais ribeiros que nela se metem correm algo tanto arrebatados.

46 - Se corre de norte a sul, se de sul a norte, se de poente a nascente, se de nascente a poente?

Vale - Corre de norte a sul
Casteleiro - Esta tal ribeira onde principia, corre das partes do nascente e coisa de um quarto de légua no sítio chamado Alvercas limite do mesmo lugar dá uma meia volta e corre de norte a sul.

47 - Se cria peixes, e de que espécie são os que traz em maior abundância?

Vale - Cria alguns peixes pequenos
Casteleiro - Nada

48 - Se há nele pescarias, e em que tempo do ano?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

49 - Se as pescarias são livres, ou de algum senhor particular, em todo o rio, ou em alguma parte dele?

Vale - É livre
Casteleiro - Nada

50 - Se se cultivam as suas margens, e se tem muito arvoredo de fruto, ou silvestre?

Vale - As duas margens de centeio, e trigo e tem ao redor oliveiras e carvalhos.
Casteleiro - As suas margens se costumam cultivar para centeio, as árvores que há ao pé dela são algumas oliveiras e alguns amieiros, porém estes não dão frutos. Também ao pé do lugar em alguns chãos que estão junto dela se costuma semear linho de secadal.

51 - Se tem alguma virtude particular as suas águas?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

52 - Se conserva sempre o mesmo nome, ou o começa a ter diferente em algumas partes, e como se chamam estas, ou se há memória de que em outro tempo tivessem outro nome?

Vale - O nome é Ribeira de Vale de Lobo e contorna o mesmo.
Casteleiro - Enquanto corre no limite deste lugar não tem outro nome mais que de ribeira, mas fora do limite toma o nome de Ribeira do Anacer.

53 - Se morre no mar, ou em outro rio, e como se chama este, e o sítio em que entra nele?

Vale - Entra na Meimoa e esta no Rio Zêzere.
Casteleiro - Morre na ribeira chamada Meimoa entre o lugar Benquerença e o lugar Escarigo.

54 - Se tem alguma cachoeira, represa, levada, ou açudes que lhe embaracem ser navegável?

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

55 - Se tem pontes de cantaria, ou de pau, quantas, e em que sítio?

Vale - Tem uma ponte de pau na passagem para a Meimoa.
Casteleiro - Tem esta ribeira duas pontes de pao, uma no sítio chamado Alaia dos Ramos e outra no sítio chamado as Relvas da Ponte.

56 - Se tem moinhos, lagares de azeite, pisões, noras, ou outro algum engenho?

Vale - Tem esta ribeira de onde principia até à Benquerença quatro lagares de azeite e quatro moinhos.
Casteleiro - Tem dentro do limite desta freguesia esta ribeira sete moinhos e três lagares de azeite, dois pizoins e algum dia teve também um tinte, porém hoje se acha demolido.

57 - Se em algum tempo, ou no presente, se tirou ouro das suas areias.

Vale - Nada
Casteleiro - Nada

58 - Se os povos usam livremente das suas águas para a cultura dos campos, ou com alguma pensão?

Vale - São livres as águas para os moradores.
Casteleiro - Gozam os povos livremente das suas águas.

59 - Quantas léguas tem o rio, e as povoações por onde passa, desde o seu nascimento até onde acaba?

Vale - Tem desde o seu nascente até à Ribeira da Benquerença duas léguas.
Casteleiro - Tem de comprimento donde principia até aonde se mete na Ribeira Meimoa duas léguas e não passa senão ao pé deste lugar de Castelleyro.

60 - E qualquer outra coisa notável que não vá neste interrogatório?

Vale - Nada
Casteleiro - Quando a folha cai para a parte desta ribeira que chamam a folha de Guaralhais de um sítio que chamam as Portellas para baixo, tem a mitra duas partes e a Comenda uma, e das Portellas para cima terá a Comenda duas partes e a Mitra uma, em todos os frutos.
Val de Lobo, 26 de Abril de 1758

Manuel Martins de Olival
Cura do dito lugar
(Transcrição: Américo Valente)

Castelleiro, 25 de Abril de 1758
Manuel Pires Leal
Cura deste dito lugar
(Transcrição: António Marques)

Thursday, September 16, 2010

Síntese

'Carmen' de Bizet fecha temporada de recurso Diário Notícias 16-09-2010 44




DIREITO DE RESPOSTA i 16-09-2010 3



Bairro Azul pede mais para os peões Jornal Notícias 16-09-2010 18



Projecto falhado do golfe das Amoreiras custou à EPAL mais de seis milhões de euros Público 16-09-2010 24



Mais um posto, menos uma ansiedade Público / Especial 16-09-2010 9



Projecto do golfe custou à EPAL mais de seis milhões de euros Público / Porto 16-09-2010 28



PSD propõe realização de um orçamento participativo no município de Matosinhos Público / Porto 16-09-2010 27



Marcelo poupadinho Sábado 16-09-2010 26



SEM LIMITES Visão / Sete 16-09-2010 7



Teixeira Pinto apoia tecto a endividamento

Saturday, August 28, 2010

Notícias e apontamentos atrasadíssimos

.
Muiiiiito interessante

Uns dados mais. Estes acabam de me chegar por mail.
Estranhamente, aquele que mais me interessa é o de José Inocêncio - que foi não assessor, como no mail me dizem, mas sim presidente da CM Alcochete entre 2002 e 2005 (ver aqui:


Agora, o conteúdo do mail (tal e qual):

Ainda em relação ao «caso Freeport» - que, como sabemos, está praticamente arrumado... - surgiram agora (Correio da Manhã de hoje) alguns dados curiosos ligados às contas bancárias de alguns dos «intervenientes no processo».
Trata-se de coisa insignificante (que certamente será bem resolvida um dia destes) e que se resume a uma diferençazinha detectada entre os rendimentos declaradosdesses «intervenientes» e os depósitos que os mesmos «intervenientes» fizeram nas suas contas bancárias.
Temos assim que, por exemplo:

Charles Smith (dono da Smith & Pedro)
Declarou de rendimentos 179 980 euros - depositou no banco 1 837 097 euros.

Manuel Pedro (dono da Smith & Pedro)
Declarou 307 246 euros - depositou 1 600 086 euros.

Júlio Monteiro (tio de José Sócrates)
Declarou 62 162 euros - depositou 1 339 190 euros.

José Manuel Marques (ex-responsável do Instituto de Conservação da Natureza)
Declarou 240 885 euros - depositou 635 710 euros.

Carlos Guerra (ex-responsável do Instituto de Conservação da Natureza)
Declarou 298 212 euros - depositou 726 145 euros.

José Dias Inocêncio (ex-assessor da Câmara Municipal de Alcochete)
Declarou 236 786 euros - depositou 595 372 euros.


Como se vê, as diferenças entre o declarado e o depositado são consideráveis - e susceptíveis de suscitar múltiplas conjecturas.
Mas atenção: nada de conclusões precipitadas: também nesta matéria não vai haver problema. Isto porque, ao que parece, todos os «intervenientes no processo» se recusam a esclarecer a proveniência dessas diferenças.
E, a acreditar na notícia (e eu acredito), fazem-no legalmente (digamos assim).
Como? É simples: invocando uma coisa chamada «direito ao silêncio» - coisa essa que, como se está mesmo a ver, permite aos «intervenientes» nada dizer sobre o assunto.

Assim se prova que o silêncio é de ouro...

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Excerto do artigo
Hoje   Olímpia Feteira, filha do empresário Tomé Feteira, garante que os herdeiros não encontram explicação para as transferências de mais de seis milhões de euros das contas do seu pai para as do advogado Duarte Lima e quer reaver o dinheiroLer Mais

'Não há explicação para transferências para Duarte Lima'



Um pouco mais de rigor na escrita e de dignidade na linguagem não faria mal nenhum

Leia e reflicta:

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Pesca Arrábida



E sobre a Arrábida, mandaram-me esta beleza:
É bom que saibam, que esta foto que já correu o mundo, fotirada em Portugal. Photo of the year - Arrábida (Portugal
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Pensamento

Great minds discuss ideas, average minds discuss events, and little minds discuss people.
Atribuido a Eleanor Roosevelt.


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Tanques de plástico?

Portas compra Pandur de plástico?




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Belenenses


João Almeida, presidente Belenenses...


Mas, quanto à urbanização...



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Hipermercados


Hipermercados em Lisboa em risco de não abrirem ao domingo
i Informação
José Sá Fernandes quer impedir a abertura dos hipermercados em Lisboa aos
... tem de ir a votos na Assembleia Municipal, onde o PS tem uma maioria
relativa. ...
<http://www.ionline.pt/conteudo/75599-hipermercados-em-lisboa-em-risco-nao-abrirem-ao-domingo>


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Freguesias lesadas



http://jornal.publico.pt/noticia/28-08-2010/governo-culpa-ar-por-falta-de-verba-para-autarcas-locais-20099047.htm

Thursday, August 19, 2010

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