Saturday, November 29, 2008

Os comentários de Rangel hoje no 'CM'

Alguma vez leram texto mais elucidativo do que este a propósito da triste figura que jornais e jornalistas fazem quando têm pela frente um activista desta estirpe? Os jornalistas não percebem que estes procedimentos e a forma como são concretizados são uma vergonha para a classe? Os jornalistas não perceberam que transformam os seus meios em órgãos de propaganda? É bom andar a ser ‘bandarilhado’ por este professor sindicalista com cara de operário da Lisnave, dos velhos tempos? Queremos jornalismo ou propaganda?

Um dia na vida do sindicalista Mário Nogueira

O «Expresso» publicou a descrição de um dos dias agitados de Mário Nogueira. Ali podia ler-se o seguinte (cito Emídio Rangel):
"Descobriu cedo que a comunicação é a alma e a arma do negócio. Mário Nogueira, 50 anos – um quarto como sindicalista dos professores – sabe há muito que tem de passar a mensagem, de se fazer ouvir, de passar na rádio, na televisão e na imprensa. Os seus dias são por isso uma azáfama mediática.
Na quinta-feira, dia do Conselho de Ministros extraordinário para tratar do problema da avaliação, chegou cedo à RTP para ser entrevistado. Voltou, horas mais tarde, para comentar em directo para a RTPN a conferência de imprensa da ministra. E fez logo um "três em um": mal saiu do estúdio foi directo à secretária de Judite de Sousa com quem falou para a "ajudar" a preparar a entrevista que Lurdes Rodrigues lhe daria à noite. Uma jornalista da Antena 1 aguardava na fila para uma entrevista destinada ao noticiário da hora certa. Aproveitou e marcou logo presença. São três "passagens de mensagem" num só edifício. Missão cumprida, Mário Nogueira sai, de carro, cumprimentando o segurança da RTP, que, por o conhecer de ginjeira, já dispensa apresentações.
Segue para a SIC, para o jornal das 9. Às 23h regressa à RTP para participar no "Corredor do Poder". Voltará no dia seguinte, às oito menos dez da manhã, à mesma estação de televisão. Nos intervalos – pequenos e em trânsito – desdobra-se em telefonemas. Retribui as mensagens que caem às dezenas cada vez que desliga o telemóvel. Foram 72, quando parou o telefone para ser entrevistado na TVI por Constança Cunha e Sá.
Entre a sede da FENPROF e a RTP vai um tempo de 10 minutos. No total, 12 chamadas não atendidas e 24 mensagens recebidas."

Tuesday, November 25, 2008

Não se livram assim, diz o PCP

PS livra-se de pelouros mas não da responsabilidade política

A Cidade fica ainda pior

Novas tarefas de Sá Fernandes apenas para libertar Costa e Perestrello para a campanha eleitoral

Para poderem dedicar-se à campanha eleitoral em que já estão envolvidos, os eleitos do PS, de forma irresponsável e comprometedora, alijaram responsabilidades em áreas fulcrais para a Cidade, quando estão passados apenas 13 meses de mandato e a menos de um ano das próximas eleições.

Ao que se sabe, Sá Fernandes vai acumular os pelouros que já tinha (Ambiente, Espaços Verdes e Plano Verde) com outros que estavam confiados a Marcos Perestrello (PS): Espaço Público e Limpeza Urbana.
Trata-se de áreas de especial relevância e muito importantes para o funcionamento da Cidade, estando-lhes afectas várias centenas de trabalhadores. Não se conhecem a Sá Fernandes especiais competências que justifiquem a transferência de responsabilidades.

O abandono destas áreas por parte do PS é o reconhecimento de que o PS não soube e não teve competência para resolver os problemas da Cidade.

Para o PS a táctica é seguramente a de se livrar de tarefas mais absorventes e problemáticas, de modo a libertar os seus quadros para a campanha eleitoral que os seus eleitos já iniciaram, em vez de se preocuparem com a Cidade, que continua a degradar-se.

No entanto, há que esclarecer sempre que a responsabilidade de toda a gestão é do Presidente e do Vice-presidente da Autarquia – ou seja, é do PS. Não é entregando estas áreas a um eleito do BE, que a força política maioritária se livra de responsabilidades.

Monday, November 24, 2008

Nota dos Vereadores do PCP na CML

Plano de Actividades e Orçamento 2009

Os Vereadores do PCP tiveram conhecimento através da imprensa de que hoje, 24 de Novembro, será feita a apresentação à Comunicação Social do Plano de Actividades e Orçamento 2009 do Município de Lisboa. De acordo com as referidas notícias, António Costa fará a apresentação dos documentos no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Os Vereadores do PCP consideram lamentável esta operação de propaganda política levada a cabo ao arrepio das elementares regras de relacionamento entre vereadores e órgãos municipais. Alertam ainda para o facto de os partidos com assento na Assembleia Municipal (órgão que efectivamente aprova ou não o Plano de Actividades e Orçamento) não terem sido ouvidos sobre nenhum dos documentos hoje divulgados à comunicação social, documentos estes que a própria Câmara e os Vereadores da oposição desconhecem em absoluto.

Esta situação, inédita no município, viola claramente o dever de consulta prévia aos partidos representados na Assembleia Municipal sobre as propostas de Orçamento e Plano de Actividades, contemplado na lei nº 24/98 de 26 de Maio. O evento de hoje é tanto mais grave quanto se pretende fazer crer à comunicação social e aos munícipes em geral que estará em curso em Lisboa um amplo processo de Orçamento Participativo.

Entretanto, hoje mesmo, minutos antes do evento, foi entregue no Gabinete dos Vereadores do PCP um CD com o Plano e Orçamento. Este facto atesta bem o carácter premeditado de toda a operação.

Os Vereadores do PCP alertam ainda para o significado político deste triste episódio, no âmbito da campanha eleitoral, já em curso, no Município de Lisboa.

Wednesday, November 19, 2008

Os figurões e os tachões

PARA QUE A PLEBE SAIBA:

Fernando Nogueira
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Agora - Presidente do BCP Angola

José de Oliveira e Costa
Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Agora -Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

Rui Machete
Antes - Ministro dos Assuntos Sociais
Agora - Presidente do Conselho Superior do BPN; Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Armando Vara
Antes - Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Agora - Vice-Presidente do BCP

Paulo Teixeira Pinto
Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Agora - Presidente do BCP (Ex. - Depois de 3 anos de 'trabalho',
Saiu com 10 milhões de indemnização!!! e mais 35.000€ x 15 meses por ano até morrer...)

António Vitorino
Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Agora -Vice-Presidente da PT Internacional; Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta - (e ainda umas 'patacas' como comentador RTP)

Celeste Cardona
Antes - Ministra da Justiça
Agora - Vogal do CA da CGD

José Silveira Godinho
Antes - Secretário de Estado das Finanças
Agora - Administrador do BES

João de Deus Pinheiro
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Agora - Vogal do CA do Banco Privado Português

Elias da Costa
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação
Agora - Vogal do CA do BES

Ferreira do Amaral
Antes - Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)
Agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato.

Etc...etc...etc...

Monday, November 17, 2008

Piscina dos Olivais

Moção do PCP amanhã na Assembleia Municipal de Lisboa



O Complexo Desportivo dos Olivais-Piscinas é um importante equipamento desportivo da Cidade, constitui uma obra de referência da arquitectura dos anos 60 e é, sem dúvida, uma mais valia do património municipal.
Em 2005, Câmara Municipal de Lisboa decidiu encerrar o espaço que, na altura, era utilizado mensalmente por cerca de 5.000 utentes, sendo 2.800 utilizadores das Piscinas.
Neste período de tempo, a população dos Olivais tem vindo a deparar-se com a continuação do encerramento daquele equipamento, prejudicando o direito dos utilizadores a usufruírem de um serviço público desportivo, de aprendizagem, de reabilitação e de lazer.
Apesar das promessas feitas em sessão pública realizada nos Olivais em Janeiro de 2008 pelo Senhor Presidente da Câmara e Senhor Vereador do Desporto; apesar das várias intervenções na Assembleia de Freguesia dos Olivais; apesar dos protestos da população por não conseguir acesso à alternativa Piscina do Oriente que tem sua lotação esgotada. A completa degradação, abandono, desleixo e vandalização de um equipamento municipal mantém-se para grande desespero e preocupação dos moradores dos Olivais,
Apesar do Presidente da CML ter informado esta Assembleia que está em preparação o concurso para a reabilitação deste equipamento, notícias vindas a público recentemente afirmam que, para além disso, será também entregue a privados a sua gestão. Esta opção irá agravar, inevitavelmente, os custos de utilização deste equipamento municipal, dificultando o acesso da população e, em particular, das camadas mais desfavorecidas.


Assim, o Grupo Municipal do PCP propõe que a Assembleia Municipal, na sua reunião de 18 de Novembro de 2008, delibere:

- Exigir à Câmara que informe a Assembleia Municipal sobre os projectos previstos para este equipamento, bem como os respectivos prazos;
- Recusar qualquer tentativa da entrega da gestão do Complexo Desportivo dos Olivais-Piscinas a interesses privados, mantendo o seu carácter de serviço público à população.

Saudação aos profs

Moção do PCP amanhã na AML

Em 8 de Novembro cerca de 120.000 professores portugueses manifestaram-se em Lisboa contra o actual modelo de avaliação de desempenho, que implica para os professores um longo e árduo processo burocrático e de nula eficácia pedagógica. Pela 2ª vez em poucos meses, os professores, sob o lema “Deixem-nos ser Professores”, afirmaram claramente a sua unidade e determinação na defesa dos seus direitos e da qualidade de ensino em Portugal.

A avaliação do desempenho docente é fundamental e deve constituir um instrumento de valorização da função docente, promovendo a análise e reflexão das práticas lectivas; é também um mecanismo necessário para a aferição do sistema educativo, permitindo detectar insuficiências e possibilidades de solução.

No entanto, o novo regime de avaliação consignado no Dec.Regulamentar nº2/2008 e a sua aplicação nas escolas não tem servido este importante desígnio; muito pelo contrário, tem vindo a contribuir para a degradação das boas práticas, para um clima insustentável nas escolas de cansaço, ansiedade e indignação, para uma instabilidade emocional com claros prejuízos na dimensão pedagógica do ensino. A insatisfação e desmotivação têm consequências negativas na qualidade do ensino e não deixarão de influenciar os resultados obtidos pelos alunos no final do ano lectivo.

O ambiente de grande tensão que se vive hoje nas escolas, devido essencialmente a essa sufocante carga burocrática, que desvia o professor da sua função principal que é ensinar, tem levado a que muitos professores, geralmente os mais experientes, procurem a aposentação, mesmo à custa de altas penalizações.

O actual modelo de avaliação dos professores, longe de garantir a qualidade do ensino, está a contribuir para a sua degradação e para a penalização da Escola Pública, e, consequentemente, de centenas de milhares de jovens e suas famílias.


Neste contexto, o Grupo Municipal do Partido Comunista Português propõe que a Assembleia Municipal de Lisboa, reunida em 18 de Novembro de 2008, delibere:

1- Saudar a luta dos Professores, expressando o desejo de rápido entendimento democrático entre as partes, para que a Escola Pública possa prosseguir com a sua tarefa e desígnio: um ensino de qualidade.
2- Enviar esta Moção às organizações representativas dos professores e ao Ministério da educação.

Sunday, November 16, 2008

E assim Luis Filipe Vieira ainda se safa com uns larguíssimos milhões

Urbanização Lismarvila que já deu tanta investigação no Ministério Público ainda se safa se a amarração da Ponte Chelas-Barreiro for fieta por túnel. Esta é uma das hipóteses colocadas aqui. No que respeita à entrada na Ponte que vai custar 1 700 milhões, eis a síntese: «A ponte Chelas-Barreiro irá transformar a Av. do Santo Condestável, em Lisboa, numa zona com um traçado marcadamente urbano, em nada semelhante aos acessos tipo auto-estrada existentes nas ligações às pontes 25 de Abril e Vasco da Gama.»
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Avaliação dos Professores

Comentário in «Alertas Expresso», 14/15 Nov 2008
«Tem-se falado muito e mal da avaliação dos professores. Nota-se que pouca gente sabe do que se trata na realidade. Para defender o ponto de vista do governo, diz-se que não havia até agora... O que não é de todo verdade. Até agora, os professores tinham de apresentar um relatório crítico de actividade, que era analisado por uma comissão de avaliação, e de fazer formação na qual tinham de ser aprovados. Se não houvesse anormalidades, os docentes teriam "Satisfaz". Se o professor não tivesse cumprido as suas funções ser-lhe ia atribuída a menção de "Não Satisfaz". Para obter a classificação de "Bom" e de "Muito Bom" teria de se submeter a um processo com várias etapas de burocracia. Existia um sistema de avaliação, ao contrário do que o Primeiro-Ministro defende ao tentar, mais uma vez, enganar os portugueses, tentando colocá-los contra os "professorzecos" (como a Ministra da Educação os apelida no Parlamento).
O Primeiro-Ministro podia dizer que não concordava com ele, mas não pode continuar a mentir, dizendo que não havia. Passando ao novo modelo de avaliação de desempenho, que não é feito para avaliar os professores, mas para evitar que eles progridam e criar um sucesso fictício e estatístico para europeu ver. Todos reconhecem que não é um modelo perfeito, mas acham que mais vale um modelo imperfeito, subjectivo e injusto do que dialogar com os professores até se criar uma avaliação justa.
Defendem que num país em que reina a injustiça não vale a pena avaliar os professores com equidade e justiça. É um sistema injusto e impraticável, por vários factores:
1.º Os professores titulares e avaliadores foram escolhidos pelos anos de serviço e não pelo mérito nem pela competência (onde está a preocupação com o mérito e com a excelência?);
2.º Os professores que vão avaliar não têm formação na supervisão de aulas;
3.º Teremos professores de Francês a avaliar aulas de professores de Inglês, e de Educação Tecnológica a avaliar docentes de Educação Física ou vice-versa;
4.º Em muitos casos, os professores avaliados têm muito mais formação do que os avaliadores;
5.º Os professores titulares vão avaliar se os outros recorrem às novas tecnologias e muitos dos avaliadores não sabem enviar um mail, ligar um computador ou o que é um powerpoint;
6.º Os titulares vão avaliar o sucesso dos outros, quando, em grande parte dos casos, são eles que têm uma maior percentagem de insucesso;
7.º Os avaliadores vão avaliar professores de níveis de ensino diferentes daqueles que estão habituados a leccionar, sendo o discurso do docente obrigatoriamente distinto;
8.º Os professores perderão autoridade na sala de aula, perante os seus alunos, no dia em que entrar um titular para avaliar o professor;
9.º Só os resultados dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática poderão ser confrontados com os dos Exames Nacionais do 3º Ciclo, o que é uma injustiça para os docentes dessas disciplinas;
10.º Os professores só ficarão com as turmas com alunos com mais dificuldades, caso não possam fugir, pois terão famílias para sustentar e empréstimos para pagar;
11.º Um professor que queira ser honesto e exigente será avaliado negativamente e corrido do ensino;
12.º Serão premiados os professores de disciplinas que não dêem testes;
13.º Se um professor tiver o azar de ter um aluno que abandone a escola para emigrar ou que os pais não tenham condições para o manter a estudar, será penalizadíssimo na sua avaliação;
14.º Se um docente tiver o azar de perder um familiar próximo ou a sorte de ter um filho, será gravemente penalizado na sua avaliação, se faltar os dias a que tem direito por lei;
15.º Se acompanhar alunos de algumas turmas numa visita de estudo e deixar outras turmas com substituição, também é considerada falta de assiduidade às actividades lectivas, imagine-se!!!!
16.º Como os avaliadores e os avaliados já leccionam juntos há muito tempo, há colegas de trabalho que não se falam e os titulares podem aproveitar para se vingar e estragar a vida aos avaliados...
17.º Numa primeira fase, os titulares não serão avaliados por ninguém (onde está a excelência?);
18.º Não vale a pena ter "excelente" ou "muito bom", porque já não haverá vagas para titulares, quando nos for permitido tentar subir na carreira;
19.º Os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências totalmente diferentes. Por exemplo, ao comparar-se os resultados de Matemática com os de Educação Física, descobre-se facilmente qual o professor que sairá penalizado e terá de ir para o desemprego, se obtiver duas avaliações "Regulares";
20.º Os professores serão avaliados pelo recurso às novas tecnologias e as escolas não têm projectores nem telas nas salas, as tomadas não funcionam, a electricidade desliga-se constantemente, nem há extensões suficientes!
21.º Os docentes serão avaliados pelas fichas formativas que forneçam aos alunos e só podem tirar fotocópias de testes de avaliação sumativa e, quando as escolas forem entregues às câmaras, nem a isso terão direito.
Estas são algumas situações reais, haverá muitas outras que eu desconheço. Só um louco pode achar isto positivo, a não ser que se queira destruir de vez com o ensino público, enviando todos os professores para o desemprego.
O que se conseguiu até agora com o novo modelo de avaliação:
a) Há um constrangimento entre os professores titulares e os "professorzecos";
b) Não há diálogo entre os docentes, havendo um "ruidoso" silêncio sepulcral na sala de professores;
c) Não há partilha de materiais por causa da competição, pois as quotas, que ainda não foram publicadas, serão muito reduzidas;
d) Estão todos desmotivados;
e) Os professores estão a entrar na escola às 8 horas e 30 minutos e a saírem depois das 22 horas, sem que ninguém lhes pague horas extraordinárias, a analisar grelhas, indicadores e instrumentos de avaliação, como se estivessem a cavar a sua própria sepultura;
f) Não há tempo para preparar aulas, desenvolver estratégias diferenciadas, elaborar e corrigir testes.

Se, nos aspectos que eu referi, houver algo que não seja correcto, agradeço que me provem o contrário pelo e-mail: salvarescola@gmail.com. É evidente que esta avaliação só terá efeitos em 2009, porque as injustiças e os processos em tribunal serão tantos que alguém acordará e mudará tudo outra vez, mas, até lá, seremos umas cobaias de algo que sabemos que foi feito por alguém que não conhece a realidade das escolas. Sinceramente, digam-me se os professores conscientes não terão direito há indignação. Gostava de poder explicar estes aspectos ao Primeiro-Ministro e propor um modelo de avaliação mais simples, justo e eficaz, mas ele não me recebe, porque não gosta de ouvir quem está no terreno e porque não sou militante socialista. Sou um reles "professorzeco", como nos qualificou a Ministra, mas vindo dela só pode ser um elogio, porque eu sei desde muito novo que os Açores fazem parte da República Portuguesa. Já que a melhor arma é a escrita vou escrever tanto até ser ouvido por quem possa salvar a Educação.»

Saturday, November 15, 2008

Carro Magalhães


Uma inovação de Sócrates.

Tuesday, November 11, 2008

PC Magalhães!

Carta aberta a José Sócrates
Autor: Pedro Carvalho Magalhães

Senhor Primeiro Ministro: Venho protestar veementemente através de Vª Exª pelo nome dado aocomputador que os vossos serviços resolveram distribuir aos meninosdeste país (os que sobrarem do seu negócio com o Hugo Chavez na trocado petróleo, bem entendido). Eu, Pedro Carvalho de Magalhães, nunca mais poderei usar a minhaassinatura sem ser indecentemente gozado pelos meus colegas detrabalho. Sempre assinei PC Magalhães e, desde que Vªs Exªs baptizaramo tal computador, tive que alterar todos os meus documentos.
Uma coisa tão simples como perguntar as horas e a resposta que recebo é:
- Atão Magalhães... vai ao Google...
Se vou à máquina de preservativos, há sempre uma boca dum colega:
- Para quê, Magalhães? Não te chega o anti-vírus?
Se vou ao dentista, a recepção é sempre a mesma:
- Então o senhor Magalhães vem limpar o teclado...
A minha mulher, Paula Carvalho Magalhães, também sofre pressõesindescritíveis no emprego. Ontem uma colega veio da casa de banho comum tampão na mão e gritou:
- Paula... esqueceste-te da tua pen!
Também o ginecologista não resistiu ao nome e, após a consulta, disse-lhe que tudo estava bem com as entradas USB!
Nem o meu filho, Pedro Carvalho Magalhães, escapa ao gozo que o nomeveio provocar.
A Rita, a mocinha com quem andava há mais de 6 meses, acabou tudo comeste argumento:
- Magalhães.... vou à Staples procurar outro que a tua pega é muito pequena!
Quando, devido a tudo isto, apanhei uma tremenda depressão que me impediu de trabalhar, fui ao psiquiatra. Ele olhou para o meu nome edisse:
- Pois é, senhor PC Magalhães. Aconselho-o a passar pelo suporte técnico da Staples... podem ser problemas de memória RAM!
Neste momento a minha mulher quer desinstalar-se e procurar alguém quetenha um nome 'decente'.

Senhor Primeiro Ministro... por que diabo não puseram Sócrates a esse maldito computador? Queria que o senhor visse o que custa!
Atenciosamente, assina
Pedro Carvalho M. (e não me perguntem o que é o M)

Thursday, November 06, 2008

Importa-se de repetir?

Nota do PCP denuncia
Marcos Perestrello/António Costa/PS
Instrumentalização da CML e da Polícia Municipal contra a luta dos ferroviários

Dirigentes sindicais, em defesa dos direitos dos trabalhadores ferroviários, manifestaram-se ontem, durante todo o dia e pela noite dentro na praça em frente do Ministério da tutela (MOPTC).
Durante todo o dia a jornada decorreu sem incidentes e sem qualquer intervenção policial, dada a legalidade da acção.
Mas, à noite, verificou-se uma intervenção da Polícia Municipal tentando afastar os trabalhadores do local – sem êxito, já que os trabalhadores não estavam a cometer qualquer ilegalidade.
Esta intervenção decorreu de ordem directa de Marcos Perestrello, Vice-Presidente da CML e membro do Secretariado Nacional do PS, certamente com conhecimento e acordo – e sempre sob a responsabilidade – de António Costa.
Trata-se de uma inadmissível instrumentalização da CML e da Polícia Municipal contra a luta dos trabalhadores ferroviários, com o objectivo de dar cobertura à política anti-social do Governo – o que merece total rejeição.

Tuesday, November 04, 2008

O mel, segundo a 'Weekly World News'

O MEL E A CANELA
Qual é o único alimento que não estraga?O mel de abelhas.A mistura de mel e canela cura a maioria das doenças. O mel é produzido em quase todos os países do mundo. Apesar de ser doce, a ciência demonstrou que, tomado em doses normais como medicamento, o mel não faz mal aos diabéticos.
A revista 'Weekly World New', do Canadá, na sua edição de 17/01/1995, publicou uma lista das doenças que são curadas pelo mel, misturado com canela.
DOENÇAS DO CORAÇÃO
Faça uma pasta de mel com canela. Coloque no pão e coma-o regularmente no café da manhã, no lugar da manteiga e geleia. Ela reduzirá o colesterol das artérias e prevenirá problemas no coração. Também previne novos enfarto nas pessoas que já tiveram um antes. O uso regular deste processo diminui a falta de ar e fortalece as batidas do coração. Nos Estados Unidos e Canadá, se utiliza esta pasta continuamente nos asilos. Descobriu-se que o mel com canela revitaliza e limpa as artérias e veias dos pacientes idosos.
ARTRITE E INFECÇÕES DE RINS
Misturar uma xícara de água morna com 02 colheradas de mel e 01 colherzinha de canela em pó. Beber uma xícara de manhã e uma de noite.Se tomar com frequência pode até curar a artrite crónica, além de eliminar os germes que produzem infecção nos rins. Numa pesquisa feita na Universidade de Copenhaga, os médicos deram aos seus pacientes diariamente, antes do café da manhã, 01 colherada de mel e meia colherada de canela em pó. Em uma semana, de 200 pacientes que seguiram o tratamento, 75 deixaram de ter dor inteiramente. Um mês depois, todos os pacientes estavam livres da dor, mesmo aqueles que quase já não conseguiam caminhar.
COLESTEROL
2 colheradas de mel com 03 colherzinhas de canela misturados em meio litro de água. Tomar 03 vezes ao dia.Isto reduz o colesterol em 10%, em duas horas. Tomado diariamente, elimina o colesterol ruim.
RESFRIADOS
Para curar completamente sinusite, tosse crónica e resfriado comum ou severo, misturar 01 colherada de mel com 01 colherzinha de canela em pó e tomar com frequência. DOR DE GARGANTA 1 colherada de mel, misturada com meia colher de vinagre de sidra. Tomar de 4 em 4 horas.
PERDA DE PESO
Diariamente, meia hora antes de deitar e meia hora antes de tomar o café da manhã, beba mel com canela numa xícara de água. Se beber todos os dias, reduz o peso até de pessoas muito obesas.
VELHICE
Também evita os estragos da idade quando se toma regularmente. Misture 01 colherada de canela e 03 xícaras de água. Ferva para fazer um chá. Quando amornar, coloque 04 colheradas de mel. Beber um quarto (1/4) de xícara, 03 ou 04 vezes ao dia. Mantém a pele fresca e suave, e, diminui os sintomas da idade avançada. Beber este chá alonga a vida e até uma pessoa de 100 anos pode melhorar muito e se sentir como alguém muito mais jovem.
DOR DE DENTES
Fazer uma pasta com 01 colherzinha de canela e 05 colherzinha de mel e aplicar no dente que está doendo. Repita pelo menos 03 vezes ao dia.
PERDA DE CABELO
Os que sofrem de calvície ou estão perdendo o cabelo, podem aplicar uma pasta de azeite de oliva (aqueça o óleo até uma temperatura suportável à pele), 01 colherada de mel e 01 colherzinha de canela em pó, no couro cabeludo. Deixar por 15 minutos antes de lavar.Foi comprovado que é eficiente mesmo quem deixar a pasta na cabeça somente 05 minutos.
PICADAS DE INSECTOS
Misture 01 colherzinha de mel, 02 colherezinhas de água morna e 01 colherzinha de canela em pó. Faça uma pasta com os ingredientes e esfregue-a suavemente sobre a picada.
A dor e a coceira irão desaparecer em um ou dois minutos.
DIVERSOS
A mistura de mel com canela alivia os gases no estômago, fortalece o sistema imunológico e alivia a indigestão.
OBSERVAÇÃO: O MEL NÃO DEVE SER FERVIDO.

Reclassificação

PROPOSTA N.º 960/2008Considerando que:
• Existem vários pedidos de reclassificação profissional cuja tramitação se encontrasuspensa no Departamento de Gestão de Recursos Humanos por inexistência devaga nas carreiras do quadro de pessoal onde os funcionários pretendem serreclassificados,
• Tal sucede apesar destes terem as habilitações académicas para a nova carreira eexistirem necessidades dos serviços, estando alguns funcionários já a desempenharas funções próprias duma carreira mais qualificada por interesse municipal;
• A entrada em vigor da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, consistirá numdefraudar de expectativas para quem apostou na sua formação académica comofactor de valorização profissional, pois não prevê a figura da reclassificação;
• Não obstante a publicação deste diploma, de acordo com os pareceres doDepartamento Jurídico n.º 0123/DJ/GO/08 e n.º 0144/DJ/GO/08, a reclassificaçãoprofissional ainda é possível podendo os actuais quadros de pessoal serem alterados;
• Que o quadro de pessoal do Município de Lisboa terá sempre de corresponder àsnecessidades de postos de trabalho da autarquia para o desenvolvimento dasrespectivas actividades, estando neste momento desactualizado;
Os Vereadores do PCP ao abrigo do disposto na alínea a) do n.º 6 do art. 64º e alíneao) do n.º 2 do art. 53º da Lei n.º 169/99, na redacção dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11de Janeiro, têm a honra de propor à Câmara Municipal de Lisboa que delibere:
1. Determinar a elaboração duma proposta de alteração ao quadro depessoal para submeter à aprovação da Assembleia Municipal no sentidode contemplar lugares em número que permita abranger os pedidos dereclassificação profissional.
2. Proceder até 31 de Dezembro de 2008 às reclassificações profissionaisdos funcionários que à data ainda estejam pendentes;Lisboa, de Outubro de 2008.
Os Vereadores do PCP
Aprovada por unanimidade na Reunião de Câmara de 22 de Outubro de 2008

Thursday, October 30, 2008

Cultura importa-se?

Câmara de Lisboa cria "manifesto" para orientar política cultural
31.10.2008, Inês Boaventura

"Decide-se porque sim ou porque não. Apoia-se porque sim ou por razão nenhuma", acusa a vereadora da Cultura, que quer acabar com as decisões arbitrárias
A vereadora Rosalia Vargas anunciou ontem a elaboração, até Junho de 2009, de "um manifesto para a cultura", cujo principal objectivo é pôr cobro à forma "casuística" e "arbitrária" como a Câmara de Lisboa vem tomando decisões naquela área. "Há que romper com a situação existente, em que frequentemente as decisões são tomadas sem ter uma base. Decide-se porque sim ou porque não, apoia-se porque sim ou por razão nenhuma", criticou a vereadora da Cultura. Para inverter esta situação, explicou Rosalia Vargas, a autarquia vem trabalhando desde Setembro no projecto Estratégias para a Cultura em Lisboa.
O projecto, coordenado por Pedro Costa, do Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, está a ser desenvolvido em conjunto com um painel de oito peritos: João Seixas, Nuno Artur Silva, Rui Tavares, Idalina Conde, António Pinto Ribeiro, Catarina Vaz Pinto, Delfim Sardo e Carlos Martins. Numa primeira fase está prevista a constituição de grupos de trabalho com agentes culturais, económicos e institucionais de Lisboa, que discutirão a cultura e a cidade a partir de um conjunto de tópicos pré-definidos e procurarão identificar quais os problemas existentes e as soluções possíveis. A partir de Janeiro, a discussão será alargada a temas mais transversais, como a conectividade e a governança, mas também centrada em zonas específicas de Lisboa. No final do processo, os promotores da iniciativa acreditam que será possível "desenhar e consensualizar as principais linhas estratégicas de actuação no campo cultural da cidade, bem como definir programas de actuação concretos".
Com o objectivo de promover uma participação pública alargada, vai ser criado o site www.cultura.lisboa.pt, que deverá estar disponível nos próximos dias. Ouvir os agentes
"Este exercício não visa simplesmente produzir um documento. Visa ser um instrumento de inspiração da acção cultural e de orientação para aquilo que deve ser o papel do município", sintetizou o presidente da Câmara de Lisboa, defendendo que a iniciativa constitui " a primeira grande oportunidade de ouvir e pôr a falar os diferentes agentes culturais". António Costa enquadrou este instrumento num "conjunto de exercícios de planeamento estratégico" que a autarquia está a desenvolver, como o Plano Local de Habitação e a Carta Estratégica do Município. O projecto foi apresentado no Palácio das Galveias, no Campo Pequeno, onde terminou em Setembro uma intervenção no muro virado para a Avenida Barbosa du Bocage, pondo fim a um processo que se arrastava desde 2002. Com esta intervenção reabriu ao trânsito um troço daquela artéria, que esteve encerrado durante um ano e meio devido ao estado do muro, com fissuras e uma inclinação acentuada para a via pública.

Wednesday, October 29, 2008

Nota do PCP sobre o Termina de Contentores de Alcântara

Terminal portuário
de contentores em Alcântara

Na óptica do PCP, o porto de Lisboa é uma infra-estrutura fundamental enquanto factor económico essencial à economia regional e ao quadro da realidade económica nacional

A recente polarização das atenções em torno do Terminal de Contentores de Alcântara obriga a reportar o enquadramento geral da importância do porto de Lisboa.
Não se pode ceder à tentação demagógica de reduzir a problemática aos impactos locais, desviando a atenção do verdadeiro problema: uma gestão responsável desta infra-estrutura, atinente dos interesses nacionais, o uso presente e futuro deste importante recurso costeiro que é o estuário do Tejo em ordem às suas múltiplas vocações, clarificando as políticas nacionais e locais para o seu ordenamento concertado e respondendo ao objectivo da melhor compatibilização das potencialidades económicas e de recreio e lazer (que historicamente andaram associadas), com a capacidade dos eco sistemas físico e ambiental do estuário do Tejo.
Sem dúvida que a opção de Alcântara como pólo principal da carga de contentores do porto de Lisboa está manifestamente assumida pelo Governo e que, tal opção, consta do chamado “Plano Estratégico do Porto de Lisboa”. No entanto, tal “Plano Estratégico”, como tantos outros planos anteriormente desenvolvidos pela autoridade portuária, carece da aprovação expressa capaz de lhe conferir a responsabilidade juridicamente adequada à garantia das suas opções.
Ainda assim, pode-se considerar, tal instrumento, limitado quanto às políticas e aos objectivos de modernização sustentada da actividade portuária na sua imensa multiplicidade, e, mais manifestamente, na base científica de interpretação da evolução da geomorfologia e parâmetros ambientais do meio aquático, que suportam a sustentabilidade da distribuição, articulação e localização dos usos preconizados no conjunto da área dedicada a funções portuárias.

É necessária uma gestão portuária sustentável

Existem formas de articulação entre o ordenamento portuário e o ordenamento da bacia hidrográfica que lhe está associada, tal como estão garantidos formatos de ordenamento do território que integram estas vertentes com o modo de ocupação humana do território adjacente, nas figuras do Programa Nacional das Políticas de Ordenamento do Território (PNPOT), nos planos regionais de ordenamento, como é o caso concreto do Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROTAML) e nos Planos Directores Municipais.
No entanto, tais mecanismos vêm sendo sistematicamente desprezados, ou limitados a enquadramentos genéricos insuficientes, desresponsabilizadores e progressivamente abertos a iniciativas avulsas. Como acontece ao longo de toda a área portuária, relativamente às áreas de lazer, à hotelaria e restauração, aos centros de investigação (como da Fundação Champalimaud), ao terminal de cruzeiros, à náutica de recreio, à pesca, às instituições de formação e investigação no domínio da marinha e do mar e tantas outras que poderiam ser enumeradas.

Terminal de Alcântara

É neste quadro que se coloca a questão do Terminal de Contentores de Alcântara. À concessionária LISCONTI interessa o investimento na zona de Alcântara. Isso é evidente. Mas já será menos certo que tal traduza uma opção sustentável num quadro de organização coerente da área (recurso) de domínio portuário.
Resultado desta opção: fica-se perante uma situação em que esta “parceria público-privada” é ditada mais pela vontade do interesse privado que obriga o investimento público a seguir e financiar complementarmente a sua opção.
Os termos da concessão à LISCONTI (Decreto Lei 188/2008 de 23 de Setembro) constituem um processo de contornos politicamente graves, com uma falta de transparência inaceitável num negócio que é urgente interromper.


Ao invés de apontar uma visão estratégica, integrada e articulada para todo o sector marítimo e portuário nacional, o Governo prossegue uma política de segmentação, descoordenação e concorrência mútua para os portos nacionais – de que esta opção é um exemplo particularmente evidente, pela negativa, no tocante ao transporte de carga contentorizada.

Ao PCP preocupa a deficiente fundamentação e explicitação do interesse público, para além das oportunidades conjunturais.
Admite-se mesmo que seja Alcântara o local sustentavelmente indicado para o movimento de contentores, mas tal tem que ser demonstrado, o que não acontece.

Sem uma recusa imediatista do terminal de contentores em Alcântara, o PCP questiona, no entanto, os fundamentos, a estabilidade e a sustentabilidade
de tal opção, do ponto de vista do interesse público (seja ele nacional, regional ou local) e a necessidade de uma alternativa de gestão não subalternizada aos interesses privados que incidem sobre a zona do domínio portuário.

Thursday, October 23, 2008

Ganância humana e gorilas

«Em Foco»
Junho de 2001
Património comum – Ganância e guerra ameaçam gorilas
Por: CARLOS NARCISO
A ganância da espécie humana está a dar cabo dos habitats dos grandes símios africanos. À medida que a floresta vai caindo, avançam os caçadores de animais selvagens. As guerras feitas pelo homem aceleram o processo: o gorila está em vias de extinção.

”Parece-se mais com um gigante do que com um homem, porque é muito alto, mas tem a cara de um homem, olhos encovados e cabelo comprido...» – foi o português Eduardo Lopes quem escreveu estas frases num relatório da sua viagem ao coração da África central, em 1590. Sem a glória de outros conterrâneos, Eduardo Lopes serviu os reis de Portugal e contribuiu para a grande influência que os portugueses tiveram nos povos africanos durante muitos séculos. Sem saber o que estava a ver, Eduardo Lopes foi o primeiro homem branco a contactar com gorilas. 411 anos depois, os homens, brancos ou pretos, continuam sem saber grande coisa sobre esses animais, biologicamente tão próximos dos humanos. No início deste ano, uma expedição científica de biólogos continuou, de certa forma, o trabalho iniciado pelo português do século XVI. No Norte da República Democrática do Congo, numa região entre os rios Uéle e Ubangui, num território nunca antes observado pelos olhos de um cientista moderno, os cientistas andaram à procura de gorilas, embora seja altamente improvável que essa espécie animal viva nessas longitudes. Gorilas existem mais a oeste, nas florestas dos Camarões, mais a sul, na floresta do Mayombe, em Cabinda, e mais a leste, nas montanhas Virunga, na fronteira entre o Ruanda e o Congo. Mas não ali, por onde esta expedição se aventurou. Porque forem eles para lá? Porque havia uma possibilidade de encontrarem uma população de gorilas isolada naquelas florestas há milénios. Porque, se esses animais existirem e forem encontrados, eles serão parecidos com os antepassados biologicamente comuns ao homem e ao gorila.

Foram-se os portugueses ficaram os combonianos

Bili é a localidade mais importante na região onde a expedição se aventurou, a floresta do Makulungo. Bili foi, em tempos, uma povoação ocupada por colonos brancos: portugueses, belgas e gregos, maioritariamente. Hoje, foram todos embora, à excepção do grego Nikolaos. Ficaram também os missionários combonianos, não em Bili, mas em Bambilo e Bondo, a 1 e 2 dias de distância, respectivamente.
Nikolaos Fotopoulos chegou ao Congo em 1971, tinha então apenas 26 anos. Adaptou-se tão bem que nunca chegou, sequer, a aprender francês, a língua colonial. Nikolaos fala o dialecto kizande, a língua do povo da terra.
Da Grécia mata saudades através da telefonia, gosta da música pimba que lhe chega na onda curta, mas, apesar da nostalgia, não quer regressar. É a vergonha de ser pobre, de não ter sequer dinheiro para tentar a viagem. O grego Nikolaos vive numa casa que foi do português Figueiredo. Quando o português resolveu partir, Nikolaos pediu ao Governo que lhe concedesse a casa abandonada. E foi assim que ele ficou com uma oficina de reparação automóvel, com maquinaria para torrar café e descascar arroz. Nada funciona.
A oficina não trabalha, porque a guerra matou os automóveis. Em toda esta região, quase tão grande como Portugal, existem apenas 10 ou 12 carros que ainda funcionam. Nikolaos tem um desses carros que ainda andam. É um camião, que já serviu para carregar café até Isiro ou Kisangani, cidades a mil quilómetros de distância. Mas as plantações de café foram comidas pela floresta e, a enferrujar, ficou também a máquina de torrar o café. Resta-lhe o prazer de ligar, de vez em quando, a máquina de descascar arroz...
A chegada dos cientistas foi um grande acontecimento para a população local. O chefe tradicional da região e o feiticeiro deslocaram-se mais de 20 quilómetros para virem ao acampamento cumprimentar tão importantes visitantes, mas também para benzer o terreno, afastar os maus espíritos e lançar o “wene ngua”, a boa magia, para que os esforços dos homens brancos viessem a ser bem sucedidos. Um ritual seguido com todo o respeito, até porque mesmo não acreditando, nunca se sabe... Depois do chefe, foi a vez do feiticeiro que aqui se chama “boro ngua”, o mágico, traduzindo à letra. Só o mágico sabe convocar os espíritos e pedir a sua protecção. Depois do ritual fomos todos convidados para assistir e participar na festa que ia acontecer na aldeia, em honra dos visitantes, isto é, em nossa honra. Como não se consegue dizer não a um convite destes, lá fomos num domingo assistir às danças tradicionais, aos batuques, às exibições dos adivinhos e a uma missa mais cantada do que rezada, como manda o rito zairense da Igreja Católica. Assim começou uma expedição científica.

Os nossos parentes mais chegados

De todos os grandes macacos, o gorila é o mais difícil de observar, porque vive em pequenos grupos familiares e porque há cada vez menos. O gorila está em vias de extinção, não há mais do que alguns milhares em liberdade. A extinção desta espécie deve-se ao abate das florestas e à caça. Além de serem poucos, os gorilas vivem normalmente em florestas densas, onde o homem tem grandes dificuldades em se deslocar. O gorila é tímido e pode passar a vida inteira escondido do olhar dos curiosos. Por tudo isto, não era fácil a tarefa dos cientistas. Mas a verdade é que, no início da expedição, os cientistas não consideraram essencial ver o animal. Diziam eles que lhes bastava observar os vestígios de como vive. Estudar as camas de folhas que fazem tanto no chão como nos ramos das árvores, e à volta das quais se encontram restos de comida, pêlos, fezes, enfim os vestígios do dia-a-dia do animal. É verdade que estes cientistas encontraram muitos vestígios idênticos aos que os gorilas deixam, inclusivamente pegadas, mas não chegaram a conclusões definitivas. As principais razões que provocaram a incerteza no espírito dos cientistas: a floresta onde decorreu a expedição não parece possuir recursos alimentícios suficientes para uma população de gorilas e... nunca viram o animal. Sendo assim, aqueles animais, que tão bem se escondem na floresta, tanto podem ser gorilas como chimpanzés com hábitos de vida pouco comuns a chimpanzés.Esta expedição científica demonstrou que a ciência ainda pouco sabe sobre gorilas e chimpanzés, mau grado estes serem biologicamente os parentes mais próximos do homem. O homem e os grandes símios partilham 98% do ADN comum e partilhamos os mesmos antepassados biológicos. Mas o homem não tem tido qualquer respeito por esse parentesco. A ganância da espécie humana está a dar cabo dos habitats dos grandes símios africanos. À medida que a floresta vai caindo, avançam os caçadores de animais selvagens. Hoje, já quase não há territórios virgens no continente africano. As guerras feitas pelo homem provocaram o extermínio do gado e, em muitos territórios, as populações voltaram a caçar para sobreviverem. Um mês e meio depois de ter começado, a expedição terminava com uma sensação de frustração. Os cientistas não sabiam bem o que dizer daquilo que tinham observado. Se tivessem escutado a voz do povo, das pessoas que ali vivem e que caçam na floresta, os cientistas diriam que sim, que o gorila existe. Os caçadores falam em encontros frequentes com grandes macacos. Tão grandes que não podem ser chimpanzés. Relatos que condizem com alguns dos vestígios encontrados na floresta. Se tivessem escutado a sabedoria dos missionários, que ali vivem há décadas, os cientistas teriam percebido que o povo Azande é cioso das suas coisas e não partilha com qualquer um o seu modo de vida. Os cientistas palmilharam muitas centenas de quilómetros pela floresta adentro, atrás de pisteiros e caçadores azandes... só viram o que eles quiseram mostrar.

Sunday, October 19, 2008

PSD e sua actual Distrital de Lisboa

Li agotrano JN:
A Distrital de Lisboa do PSD (a mesma que achou, há uns tempos e num momento hilariante, que Alberto João Jardim devia ser o candidato do partido a primeiro-ministro) sufragou esta semana o nome de Santana Lopes. Fê-lo sem Manuela Ferreira Leite ter dito claramente que Santana é a sua opção para capital. Ou seja: passou a ideia de que estava a empurrar o processo com a barriga. Na terça-feira, ao contrário do que estaria previsto, a Comissão Política Nacional não abordou a candidatura a Lisboa. Isto é: passou a ideia de que a escolha não é pacífica. Anteontem, na SIC-Notícias, Pacheco Pereira (um dos ideólogos mais ouvidos por Manuela Ferreira Leite) deu pancada da grossa em Santana. A coisa, como está bom de ver, não há-de acabar por aqui...
O que é que isto evidencia? Três coisas: Manuela Ferreira Leite é politicamente tenrinha, o que há-de custar-lhe o cargo mais depressa do que ela imagina. Santana Lopes continua a incomodar muita gente. Mais importante do que as precedentes: o PSD, este PSD, continua a mostrar uma lamentável falta de estaleca como principal partido da Oposição.
E isso deve importar-nos? Deve. Exemplo: a presidente do PSD acusou ontem o Governo de vender ilusões e de ter apresentando o pior Orçamento de sempre em termos de transparência, construído a partir dos resultados que queria anunciar. "Este é um momento em que se exige dos responsáveis que falem verdade em vez de venderem ilusões", declarou Manuela Ferreira Leite, numa delicadíssima aproximação semântica ao discurso que o presidente da República fez nas comemorações do 5 de Outubro ("O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos" e "quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar", disse então Cavaco Silva). Era isto que devia ter marcado a agenda política. Não marcou. Por culpa de quem? Do PSD.

Saturday, October 11, 2008

Carnide e participação

Junta de Freguesia
de Carnide agraciada
Menção especial «Participação cidadã / crianças e jovens»

O Observatório Internacional de Democracia Participativa (OIDP) acaba de informar a Junta de Freguesia de Carnide da atribuição de uma menção especial pelo trabalho desenvolvido pela autarquia na promoção da participação cidadã junto das crianças e dos jovens.

No ano lectivo passado a Junta de Freguesia lançou um projecto inovador que envolveu mais de 700 crianças dos jardins de infância e das escolas da freguesia com vista a promover o debate em torno das prioridades para a Freguesia e simultaneamente a promover o conhecimento das competências de uma autarquia.

As crianças e jovens fizeram um levantamento dos problemas em cada bairro e em cada escola, procuram soluções, fizeram as propostas, apresentaram-nas aos eleitos locais, participaram em assembleias plenárias, visitaram a Junta de Freguesia, o Presidente da autarquia visitou-os nas salas de aula... Foi um projecto de grande envolvimento e que tem continuidade no presente ano lectivo.

"Sou Carnide! Participação Cidadã de crianças e jovens!" foi um projecto pedagógico e de intervenção que agora foi reconhecido pela OIDP no âmbito da 3ª distinção OIDP boas práticas em participação cidadã. A entrega da menção especial irá decorrer no âmbito da VIII Conferência Anual da OIDP que acontecerá de 19 a 21 de Novembro em La Paz na Bolivia.

Numa sociedade cada vez mais afastada da causa pública, Carnide, mais uma vez, é reconhecida a nível internacional pelas boas práticas de envolvimento da comunidade e de promoção da cidadania.

O golpe do 'Magalhães'

Tal como me enviaram:

«*** Magalhães ***
o mais escandaloso golpe de propaganda do ano


Os noticiários abriram há dias, com pompa e circunstância, anunciando o lançamento do 'Primeiro computador portátil português', o 'Magalhães'.A RTP refere que é 'um projecto português produzido em Portugal'A SIC refere que 'um produto desenvolvido por empresas nacionais e pela Intel' e que a 'concepção é portuguesa e foi desenvolvida no âmbito do Plano Tecnologico.
'Na realidade, só com muito boa vontade é que o que foi dito e escrito é verdadeiro. O projecto não teve origem em Portugal, já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel. Chama-se Classmate PC e é um laptop de baixo custo destinado ao terceiro mundo e já é vendido há muito tempo através da Amazon.As notícias foram cuidadosamente feitas de forma a dar ideia que o 'Magalhães' é algo de completamente novo e com origem em Portugal. Não é verdade. Felizmente, existem alguns blogues atentos. Na imprensa escrita salvou-se, que se tenha dado conta, a notícia do
Portugal Diário
: 'Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto.'Pelos vistos, o jornalista Filipe Caetano foi o único a fazer um trabalhinho de investigação em vez de reproduzir o comunicado de imprensa do Governo.
A ideia é destruir os esforços de Negroponte para o OLPC.
O criador do MIT Media Lab criou esta inovação, o portátil de 100 dólares...A Intel foi um dos parcceiros até ver o seu concorrente AND ser escolhida como fornecedor. Saiu do consórcio e criou o Classmate, que está a tentar impor aos países em desenvolvimento.
Sócrates acaba de aliar-se, SEM CONCURSO, à Intel, para destruir o projecto de Negroponte. A JP Sá Couto, que ja fazia os Tsumanis, tem assim, SEM CONCURSO, todo o mercado nacional do primeiro ciclo.
Tudo se justifica em nome de um número
de propaganda política terceiro-mundista.
Para os pivots (ex-jornalistas?) Rodrigues dos Santos ou José Alberto Carvalho, o importante é debitar chavões propagandísticos em vez de fazer perguntas.
Se não fosse a blogosfera - que o ministro Santos Silva ainda não controla - esta propaganda não seria desmascarada. Os jornalistas da imprensa tradicional têm vindo a revelar-se de uma ignorância, seguidismo e preguiça atroz.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Negroponte#O_PC_de_USD_100»